O cuidado oferecido pela rede pública de saúde do Distrito Federal tem avançado para além das unidades hospitalares. Por meio do serviço de atenção domiciliar da Secretaria de Saúde (SES-DF), pacientes que necessitam de acompanhamento contínuo podem receber tratamento diretamente em casa. Em 2025, o programa contabilizou 70,5 mil atendimentos realizados nas residências em diversas regiões da capital.
A iniciativa atende principalmente pessoas com doenças crônicas ou com limitações severas de mobilidade, que muitas vezes precisariam permanecer internadas por longos períodos. Com o acompanhamento domiciliar, esses pacientes continuam recebendo assistência profissional sem precisar se afastar do convívio familiar.
Durante as visitas, as equipes realizam acompanhamento clínico, orientação aos cuidadores, reabilitação, controle de sintomas e medidas de prevenção de complicações. O serviço também contempla situações que exigem cuidados paliativos, quando o objetivo é garantir qualidade de vida e conforto ao paciente.
Podem ser atendidas pessoas totalmente acamadas, que utilizam dispositivos como bolsas de ostomia ou que apresentam feridas complexas, como úlceras por pressão.
A chefe do Núcleo Regional de Atenção Domiciliar da Região de Saúde Centro-Sul, Andréia Brasil, explica que o atendimento faz parte da estratégia nacional voltada ao cuidado fora do ambiente hospitalar. “O serviço está presente em todas as regionais de saúde do DF e integra o programa Melhor em Casa, do Ministério da Saúde. A proposta é permitir que o paciente permaneça em casa, próximo da família, mas com acompanhamento constante das equipes de saúde”, destaca.
Além de oferecer um ambiente mais acolhedor ao paciente, o modelo contribui para reduzir o número de reinternações e melhorar a utilização dos leitos hospitalares.
As equipes que realizam as visitas são formadas por profissionais de diferentes especialidades, como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas e fonoaudiólogos. O trabalho integrado desses profissionais permite a elaboração de planos terapêuticos personalizados.
Na Região de Saúde Centro-Sul, o Núcleo Regional de Atenção Domiciliar acompanha atualmente 118 pacientes moradores de áreas como Candangolândia, Estrutural, Guará I e II, Park Way, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo e Riacho Fundo II, além das regiões do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) e do Setor Complementar de Indústria e Abastecimento (SCIA).
O superintendente da Região de Saúde Centro-Sul, Ronan Garcia, avalia que o atendimento domiciliar traz benefícios tanto para os pacientes quanto para o funcionamento da rede pública de saúde. “Esse trabalho tem impacto direto na recuperação das pessoas e também ajuda a otimizar a ocupação dos leitos hospitalares. Com o acompanhamento em casa, conseguimos reduzir o tempo de internação e ampliar a capacidade de atendimento da rede”, afirma.
Cuidado que chega até a casa dos pacientes
Para muitas famílias, o serviço representa suporte fundamental no cuidado diário. A dona de casa Regina Cunha, de 54 anos, dedica grande parte da rotina à filha Nicole, de 23 anos, que desenvolveu crises de epilepsia ainda bebê e passou a conviver com sequelas neurológicas permanentes.
Há cerca de um ano, a jovem precisou realizar uma gastrostomia, procedimento que permite a alimentação por meio de uma sonda diretamente no estômago, e desde então recebe acompanhamento domiciliar. “A equipe sempre foi muito presente e me ajudou a aprender como cuidar melhor da Nicole. Eles explicam tudo com paciência e acompanham a evolução dela. Quando chegam aqui em casa, sinto que não estamos sozinhas”, relata Regina.
Encaminhamento para o serviço
O acesso ao atendimento domiciliar pode ocorrer durante uma internação hospitalar ou por meio da atenção básica. No hospital, a equipe assistencial avalia se o paciente pode continuar o tratamento em casa e encaminha a solicitação ao núcleo responsável.
Já nos casos acompanhados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), o encaminhamento é feito pela própria equipe da atenção primária, que avalia a necessidade do serviço.
Após o envio da documentação, o Núcleo Regional de Atenção Domiciliar realiza a análise técnica. Se o paciente se enquadrar nos critérios do programa, ele passa a integrar o serviço e recebe acompanhamento periódico da equipe de saúde, com um plano terapêutico definido para o tratamento em casa.



