Ampliar a oferta de moradias, criar novas oportunidades de investimento e garantir um crescimento urbano mais planejado estão entre as prioridades discutidas pela governadora Celina Leão em reunião com representantes do mercado imobiliário do Distrito Federal nesta quarta-feira (10). O encontro reuniu integrantes da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF) e representantes do Governo do Distrito Federal para debater medidas voltadas à expansão habitacional da capital.
Participaram da reunião o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Vaz; o presidente da Terracap, Júlio César de Azevedo Reis; e o diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab-DF), Marcelo Fagundes.
Durante o encontro, foram debatidos temas considerados estratégicos para o desenvolvimento urbano do DF, entre eles a ampliação da oferta de terrenos regularizados, a atualização de normas urbanísticas, a modernização dos processos de análise de projetos e ações para conter a ocupação irregular de áreas públicas.
Ao defender a aproximação entre governo e setor produtivo, Celina Leão destacou que as empresas do mercado imobiliário possuem papel importante na identificação das demandas habitacionais da população e na construção de soluções para ampliar o acesso à moradia.
“As empresas representadas pela Ademi acompanham diariamente a dinâmica do mercado e conhecem de perto as necessidades das famílias que buscam um imóvel. Essa troca de informações é fundamental para que possamos aperfeiçoar políticas públicas, ampliar a oferta de terrenos e criar condições para que novos empreendimentos saiam do papel”, afirmou a governadora.
Segundo Celina, além de contribuir para reduzir o déficit habitacional, a expansão do setor também movimenta a economia, gera empregos e atrai investimentos para o Distrito Federal.
O secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Vaz, ressaltou que o diálogo com os diversos segmentos da sociedade é uma etapa importante na construção das políticas urbanas da capital. “Nosso papel é ouvir os setores envolvidos, compreender os desafios apresentados e buscar soluções equilibradas. O desenvolvimento urbano exige planejamento e decisões que atendam tanto ao interesse público quanto às necessidades de quem investe e produz na cidade”, disse.
De acordo com ele, esse debate também está presente em discussões relacionadas ao Plano Diretor de Ordenamento Territorial (Pdot) e às revisões da Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos), instrumentos que orientam o crescimento urbano do Distrito Federal.
A necessidade de garantir infraestrutura antes da ocupação de novas áreas foi outro tema abordado durante a reunião.
Para o presidente da Terracap, Júlio César de Azevedo Reis, o desenvolvimento de novos bairros deve ser acompanhado por investimentos em mobilidade, drenagem, saneamento e acessibilidade. “O crescimento da cidade precisa ocorrer de forma responsável. Antes da chegada dos moradores, é necessário assegurar que a região tenha condições adequadas de infraestrutura, oferecendo segurança e qualidade de vida para a população”, afirmou.
Como exemplo dessa estratégia, ele citou os viadutos construídos no Jardim Botânico antes da comercialização do empreendimento Aldeias do Cerrado, as intervenções viárias que atendem ao Setor Habitacional Noroeste e a implantação da infraestrutura da QS 60, no Guará, iniciada antes da venda dos lotes.
Reis também destacou o Setor Habitacional Tororó e o Setor Habitacional Jóquei Clube entre os projetos previstos para os próximos anos. Segundo ele, no caso do Jóquei Clube, a comercialização das unidades deverá avançar paralelamente às obras de infraestrutura.
A produção de habitações de interesse social também esteve entre os principais assuntos da reunião. Para Marcelo Fagundes, o enfrentamento da demanda habitacional exige a participação conjunta do governo e da iniciativa privada. “O déficit habitacional existente hoje demanda uma atuação integrada. O poder público tem um papel fundamental, mas a participação das construtoras e dos investidores é indispensável para ampliar a oferta de moradias destinadas às famílias que mais precisam”, afirmou.
Segundo o presidente da Codhab, o interesse de empresas privadas pelo segmento de habitação social tem crescido nos últimos anos, ampliando as possibilidades de atendimento à população. “Queremos ampliar a confiança do setor nos programas habitacionais desenvolvidos pelo governo. Quanto maior a participação das construtoras, maior será a capacidade de oferecer imóveis com qualidade e valores compatíveis com a realidade das famílias beneficiadas”, acrescentou.
Representando a Ademi-DF, o presidente da entidade, Celestino Fracon Júnior, defendeu a ampliação da oferta de terrenos regularizados como uma ferramenta importante para conter a ocupação irregular do solo. “Criar oportunidades dentro da legalidade é uma das formas mais eficazes de enfrentar as ocupações irregulares. Quanto mais áreas estruturadas e regularizadas estiverem disponíveis para o mercado, maiores serão as alternativas para um crescimento urbano organizado”, afirmou.
Fracon também defendeu a atualização permanente das regras urbanísticas e destacou a importância de projetos que integrem moradia, emprego, comércio e lazer em uma mesma região. “Uma cidade bem planejada reduz deslocamentos, melhora a qualidade de vida da população e cria ambientes mais completos para viver, trabalhar e acessar serviços. Esse é um modelo que beneficia Brasília como um todo”, concluiu.


