Currículos, entrevistas de emprego, cursos técnicos e empreendedorismo passaram a ocupar espaço na rotina de adolescentes atendidos pelo sistema socioeducativo do Distrito Federal neste mês. A Feira de Profissões promovida pela Secretaria de Justiça e Cidadania do DF (Sejus-DF) levou às unidades socioeducativas uma programação voltada à qualificação profissional e à construção de novas perspectivas para jovens em cumprimento de medidas socioeducativas.
A iniciativa, coordenada pela Subsecretaria do Sistema Socioeducativo (Subsis), reuniu instituições como Instituto Federal de Brasília (IFB), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Sesi LAB e Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). As atividades aproximaram os adolescentes de oportunidades de formação técnica, cursos profissionalizantes e possibilidades de inserção no mercado de trabalho.
Durante a programação, os socioeducandos participaram de oficinas práticas sobre elaboração de currículo, preparação para entrevistas de emprego e comportamento em processos seletivos. Também receberam orientações sobre acesso a cursos, construção de trajetórias profissionais e planejamento de carreira.
As ações incluíram ainda atividades voltadas à ciência, tecnologia, inovação e desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Em rodas de conversa, profissionais convidados compartilharam experiências pessoais, desafios enfrentados ao longo da carreira e caminhos possíveis dentro do mercado de trabalho.
Um dos momentos mais marcantes da programação foi a visita guiada à Caixa Cultural Brasília. Para muitos adolescentes, foi a primeira oportunidade de conhecer de perto um espaço dedicado à cultura, à produção artística e ao conhecimento.
A experiência também provocou reflexões sobre futuro e reconstrução de trajetórias. Lucas Fonseca, nome fictício adotado para preservar a identidade do adolescente, afirmou que a participação na feira mudou sua visão sobre os próximos passos da própria vida. “Antes eu não pensava muito no que faria daqui para frente. Depois das oficinas e das conversas, comecei a enxergar possibilidades que eu nunca tinha considerado. Hoje penso em estudar mais e buscar uma formação na área de tecnologia”, contou.
Segundo o secretário interino de Justiça e Cidadania do DF, Jaime Santana, ações voltadas à educação e à profissionalização ajudam os adolescentes a visualizar novas oportunidades fora da realidade da internação. “Nosso objetivo é mostrar que esses jovens podem construir novos caminhos por meio do estudo, da qualificação profissional e do trabalho. Quando eles conseguem enxergar oportunidades reais, passam a acreditar mais no próprio potencial”, destacou.
A gerente sociopedagógica da Unidade de Internação de Saída Sistemática, Valéria Castilho Dornelas, ressaltou que iniciativas voltadas à formação profissional contribuem diretamente para fortalecer a autoestima e ampliar perspectivas entre os adolescentes atendidos pelo sistema. “Quando eles passam a conhecer possibilidades concretas de estudo e trabalho, começam também a construir expectativas mais positivas em relação ao próprio futuro”, afirmou.
Mais do que apresentar profissões, a Feira de Profissões buscou aproximar os adolescentes de experiências capazes de ampliar horizontes e estimular novos projetos de vida. Para muitos participantes, a iniciativa representou o primeiro contato direto com oportunidades profissionais antes distantes da própria realidade.


