Câmeras instaladas em imóveis e estabelecimentos do Distrito Federal podem colaborar com investigações policiais mesmo quando pertencem à iniciativa privada. Essa integração é possível por meio do DF 360, ferramenta da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) que reúne imagens de diferentes equipamentos para apoiar o monitoramento de áreas públicas.
A plataforma já conta com cerca de 15 mil dispositivos. Moradores, comerciantes, empresas e condomínios que desejam contribuir podem solicitar a inclusão de suas câmeras gratuitamente. O cadastro é voluntário e está disponível no portal do programa.
A tecnologia permite que as forças de segurança procurem registros captados nas proximidades de um local relacionado a uma ocorrência. Com imagens de diferentes pontos, os agentes podem buscar informações sobre a circulação de veículos, acompanhar possíveis trajetos e reunir elementos que ajudem a esclarecer os fatos.
Para isso, o sistema combina recursos de inteligência artificial, reconhecimento facial e veicular e georreferenciamento. A plataforma também pode apoiar a localização de pessoas desaparecidas, cruzando imagens com informações dos bancos de dados utilizados pelos órgãos de segurança. De acordo com a SSP-DF, o CPF é especialmente relevante para a geração de alertas voltados a esse tipo de busca.
O funcionamento do DF 360 não depende apenas dos equipamentos instalados pelo governo. A inclusão de câmeras privadas permite ampliar a rede com o aproveitamento de estruturas já existentes, sobretudo em regiões onde a instalação de dispositivos públicos depende da disponibilidade de recursos e de avaliações técnicas.
Em junho, a governadora Celina Leão formalizou, por meio de decreto, a adesão obrigatória dos órgãos e das entidades da administração pública direta e indireta ao sistema. Já a participação da população permanece facultativa. O secretário de Segurança Pública, Alexandre Patury, ressalta a contribuição de moradores e comerciantes para ampliar a cobertura do monitoramento no território.
A quantidade de equipamentos conectados pode variar em ocasiões específicas. Durante grandes eventos e operações especiais, câmeras de estádios e drones podem ser adicionados temporariamente à plataforma.
Para participar, o proprietário deve acessar o site oficial, escolher a opção de cadastro e seguir as orientações disponíveis, inclusive o tutorial oferecido pelo sistema. A solicitação pode ser feita por pessoas físicas ou jurídicas, e a permanência na rede não é obrigatória.
Uma das condições para a integração é que a câmera esteja direcionada para áreas públicas, como ruas e calçadas. Equipamentos voltados para o interior de residências, espaços privados ou locais que comprometam a intimidade de terceiros não são aceitos. O responsável pode solicitar a retirada do dispositivo a qualquer momento.
O acesso às imagens é restrito a profissionais autorizados. A plataforma mantém registros das consultas, com a identificação do usuário, a data e o horário, permitindo acompanhar e auditar as operações realizadas.
O compartilhamento voluntário tem respaldo na Lei nº 7.924, de 21 de julho de 2026, que trata da utilização de imagens de condomínios, empresas e estabelecimentos comerciais e prevê condições para a instalação de infraestrutura privada de videomonitoramento em espaços públicos.
As regras também devem respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A legislação estabelece parâmetros para o tratamento de informações pessoais, enquanto os mecanismos de controle e rastreabilidade do DF 360 ajudam a limitar o acesso e a fiscalizar o uso das imagens.



