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Rollemberg e o peso do passado: um ex-governador à deriva no cenário político

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O ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB) vive hoje a sombra do que já representou na política do Distrito Federal. Ele chegou ao poder em 2014 embalado pelo discurso de renovação, aproveitando a rejeição ao petista Agnelo Queiroz e prometendo uma gestão ética e eficiente. A vitória expressiva, com mais de 800 mil votos, parecia o início de uma trajetória sólida. Mas o que se seguiu foi uma curva descendente difícil de reverter.

Entre 2015 e 2018, sua administração acumulou desgastes que marcaram profundamente sua imagem. A política de derrubadas promovida pela Agefis atingiu tanto moradores de áreas periféricas quanto de condomínios de classe média, sem oferecer soluções habitacionais, alimentando a percepção de um governo insensível e punitivo. A crise financeira, somada à falta de obras estruturantes e episódios como o desabamento do viaduto do Eixão, reforçaram a narrativa de ineficiência administrativa.

O desgaste culminou nas urnas: em 2018, Rollemberg perdeu para Ibaneis Rocha (MDB) com apenas 30% dos votos — praticamente a metade de sua base eleitoral anterior. O declínio seguiu em 2022, quando sua candidatura à Câmara dos Deputados resultou em apenas 50 mil votos, insuficientes para conquistar mandato.

O peso das contradições

Se em 2014 a bandeira da ética foi seu trunfo, a gestão acabou marcada por contradições. O escândalo no BRB, com desvio de R$ 16,5 milhões revelado pela Polícia Federal, corroeu o discurso de “mãos limpas”. Hoje, quando critica operações financeiras do banco, como no caso da tentativa de compra do Banco Master, suas palavras soam mais como tentativa de reescrever a própria história do que de pautar o debate.

Sobrevivência política limitada

A chegada de Rollemberg à Câmara dos Deputados em 2025, viabilizada por mudanças no sistema eleitoral definidas pelo STF, é vista por analistas mais como um acaso institucional do que como sinal de força política. O PSB, partido que já teve protagonismo no DF, encontra-se fragilizado e sem nomes capazes de alavancar candidaturas competitivas.

Nesse cenário, a projeção de Rollemberg para 2026 é considerada incerta e pouco promissora. A rejeição acumulada, somada ao isolamento político e ao enfraquecimento da legenda, indica que sua trajetória deve seguir o mesmo destino de outros ex-governadores do DF que, após o auge, se tornaram figuras marginais no tabuleiro.

O futuro de Rollemberg parece resumido em um diagnóstico recorrente nos bastidores: um político que teve a chance de marcar a história, mas escolheu o caminho da irrelevância.

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