O Governo do Distrito Federal tenta acelerar uma solução para a crise financeira enfrentada pelo Banco de Brasília (BRB) após o prejuízo bilionário relacionado à operação envolvendo ativos do Banco Master. No último domingo (17), a governadora em exercício, Celina Leão, afirmou que as negociações para obtenção de um empréstimo avançaram e que a expectativa é concluir a operação dentro do prazo previsto.
A declaração foi dada durante um evento realizado em Brasília. Apesar de evitar detalhes sobre as tratativas, Celina indicou que o governo conduz o assunto com cautela devido aos impactos no mercado financeiro e à relevância estratégica do banco público para a economia do Distrito Federal. “Banco é um tema sensível. Por isso, evitamos divulgar informações antes da hora. Mas está tudo sendo resolvido e caminhando da maneira correta”, afirmou a governadora após participar de uma corrida comemorativa ao bicentenário da Câmara dos Deputados.
A busca por alternativas financeiras ocorre desde abril, quando Celina assumiu temporariamente o Palácio do Buriti durante viagem do governador Ibaneis Rocha. O principal objetivo do GDF é cobrir um déficit superior a R$ 6 bilhões acumulado pelo BRB após perdas relacionadas à aquisição de ativos do Banco Master, instituição que passou por processo de liquidação conduzido pelo Banco Central.
O plano em discussão prevê a contratação de um financiamento junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Para viabilizar a operação, o governo pretende obter aval da União por meio do Tesouro Nacional. Paralelamente, Celina tenta agendar uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar diretamente do tema, embora ainda não exista previsão oficial para o encontro.
Nos bastidores, no entanto, a proposta enfrenta resistência dentro da equipe econômica federal. Integrantes do Ministério da Fazenda defendem que a garantia do empréstimo seja vinculada ao Fundo Constitucional do Distrito Federal, e não ao Tesouro Nacional, como deseja o governo local.
Outro obstáculo envolve a situação fiscal do Distrito Federal. Atualmente, o Tesouro Nacional atribui ao DF nota C no indicador de Capacidade de Pagamento (Capag), classificação que impede estados e municípios de contratar empréstimos com garantia da União. Pelas regras em vigor, apenas entes federativos com notas A ou B podem acessar esse tipo de operação de crédito.
A avaliação negativa é considerada um dos principais entraves para a liberação do financiamento. Técnicos da área econômica argumentam que a concessão de garantia federal em meio ao atual cenário fiscal poderia abrir precedente para pedidos semelhantes de outros estados.
Apesar das dificuldades, integrantes do governo local avaliam que a operação é necessária para preservar a estabilidade financeira do BRB e evitar impactos mais amplos sobre a economia do Distrito Federal. O banco é considerado estratégico para a execução de políticas públicas e possui forte participação no financiamento de projetos habitacionais, operações de crédito e pagamento de servidores públicos.


