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Sesc-DF apoia programa que amplia oportunidades para catadores no DF

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Uma nova iniciativa pretende chegar a trabalhadores que estão diariamente nas ruas do Distrito Federal recolhendo papelão, plástico, latinhas e outros materiais, mas ainda trabalham de forma independente. Lançado em Ceilândia, o Cata Vida quer aproximar catadores autônomos de uma estrutura de apoio e ampliar as possibilidades de renda dentro da cadeia da reciclagem.

O programa foi apresentado na quarta-feira (12), na sede da Associação e Cooperativa Recicle a Vida, em Ceilândia Norte. O lançamento contou com a participação do Sesc-DF, parceiro da entidade desde 2023, além do apoio estratégico do Instituto eureciclo e da Entidade Gestora Giro.

Diferentemente da atuação já realizada dentro da cooperativa, a nova frente olha para quem ainda trabalha sozinho. A ideia é alcançar catadores espalhados pelo DF, oferecer acolhimento socioassistencial e criar condições para que os recicláveis recolhidos proporcionem maior retorno financeiro a esses profissionais.

A Recicle a Vida possui atualmente 79 catadores associados. O desafio, a partir do Cata Vida, será ampliar essa rede e alcançar um público que não necessariamente está inserido em estruturas organizadas de coleta e triagem.

O programa também deverá reunir informações sobre a presença e a atuação dos catadores autônomos no território. A expectativa é que esse levantamento ajude na construção de estratégias para organizar a atividade e possa contribuir para a formulação de políticas públicas.

Do lixo à renda

O Sesc-DF já utiliza a própria produção de resíduos como parte de uma política que combina responsabilidade ambiental e impacto social.

Desde 2023, a instituição mantém uma parceria com a Recicle a Vida para o gerenciamento de materiais descartados em suas unidades. A opção pela cooperativa inseriu os catadores diretamente em uma operação que movimenta mais de 500 toneladas de resíduos anualmente.

Para Roger Lopes, analista de Suporte à Gestão em Sustentabilidade do Sesc-DF, o diferencial está em fazer com que os recursos empregados na gestão dos resíduos também tenham reflexos na vida de quem trabalha com reciclagem. “Escolhemos um caminho em que a destinação correta dos materiais também pudesse representar trabalho e renda. Assim, uma necessidade ambiental da instituição passa a contribuir diretamente com pessoas que vivem dessa atividade”, afirma.

Cláudia Maria Alves, presidente da Recicle a Vida, destaca que a parceria permitiu fortalecer o trabalho desenvolvido pela cooperativa. “É uma relação construída com compromisso. Ter uma instituição que acredita no nosso trabalho fortalece os catadores e também aquilo que buscamos fazer pela sustentabilidade e pelo meio ambiente”, diz.

Antes de chegar à cooperativa ou a outras formas de tratamento, o descarte começa a ser separado dentro das próprias unidades do Sesc-DF. Todas contam com coleta seletiva.

Os resíduos seguem três caminhos. Materiais com potencial de reciclagem são encaminhados para triagem e podem voltar ao mercado como matéria-prima. Restos orgânicos são utilizados na produção de composto e transformados em adubo. Apenas o que não pode seguir por nenhuma dessas rotas termina no aterro sanitário.

A diferença também aparece nas contas.

O custo informado pelo Sesc-DF é de aproximadamente R$ 0,68 para cada quilo destinado à compostagem e de R$ 0,70 para a reciclagem. Quando o mesmo peso precisa seguir para o aterro sanitário, o valor chega a R$ 1,18.

Com a separação e o reaproveitamento dos materiais, a economia já supera R$ 70 mil. “Mandar tudo para o aterro significa desperdiçar materiais que ainda possuem utilidade e pagar mais pela destinação. Quando a separação é feita corretamente, reduzimos o rejeito e conseguimos resultados ambientais e econômicos melhores”, explica Roger.

Agora, com o Cata Vida, a intenção é ampliar o alcance social desse ciclo. O material recolhido deixa de ser visto apenas como algo a ser descartado e passa a integrar uma cadeia que pode representar renda, organização e melhores condições de trabalho para catadores do DF.

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