Uma atualização nas regras de doação de sangue ampliou, a partir desta quarta-feira (30), o grupo de pessoas que poderá procurar os hemocentros. Critérios envolvendo tatuagens, exames, peso, idade e determinadas condições de saúde foram modificados pelo Ministério da Saúde, reduzindo restrições que estavam em vigor desde 2016.
No Distrito Federal, a Fundação Hemocentro de Brasília (FHB) espera que as mudanças contribuam tanto para recuperar antigos doadores quanto para incentivar a participação de novos voluntários.
A redução mais expressiva ocorreu para quem fez tatuagem, piercing ou algum procedimento estético. Antes, era necessário aguardar um ano para doar sangue. Agora, o prazo geral será de quatro meses.
Em algumas situações, a espera poderá cair para sete dias. Para isso, será necessário apresentar nota fiscal e foto que comprove o registro do estabelecimento na Vigilância Sanitária.
A Portaria nº 11.685/2026 também mudou a regra para quem passou por endoscopia ou colonoscopia. O período de impedimento para esses candidatos foi reduzido para quatro meses. Pessoas que tiveram gripe ou resfriado sem febre poderão voltar a doar três dias após o fim dos sintomas.
O peso mínimo exigido também mudou. Com as novas normas, candidatos com 50 kg poderão doar. Até então, o limite era de 51 kg.
Para a gerente de captação de doadores da FHB, Kelly Barbi, a atualização consolidou na legislação procedimentos cuja segurança já faz parte da realidade dos hemocentros há cerca de dez anos.
As mudanças alcançaram ainda pessoas que tiveram determinados tipos de câncer. Quem estiver curado há mais de cinco anos poderá voltar a se cadastrar para doar sangue. A possibilidade não se estende a quem teve melanoma ou cânceres do sangue.
Diagnósticos relacionados à tireoide também deixaram de representar impedimento definitivo. A nova norma contempla casos de hipotireoidismo, hipertireoidismo, tireoidite de Hashimoto e doença de Graves.
Outra alteração envolve doadores frequentes com mais de 70 anos. A portaria eliminou o limite máximo de idade para esse grupo, mas estabeleceu a necessidade de avaliação médica anual.
As flexibilizações não retiraram as etapas de segurança realizadas antes da coleta. Cada candidato continuará passando por entrevista clínica individual e exames para verificar se está apto a doar.
A ampliação do público ocorre em meio à necessidade de manter os estoques do Hemocentro abastecidos. A fundação trabalha com uma meta mínima de 180 bolsas coletadas por dia para atender a rede pública do Distrito Federal e os hospitais vinculados.
Em determinados períodos, principalmente durante o aumento da circulação de doenças respiratórias, o número de doações sofre redução. Neste momento, os estoques de sangue B negativo e O negativo estão em nível crítico.
Kelly Barbi reforçou o chamado aos doadores de tipos sanguíneos negativos, com atenção especial aos grupos B negativo e O negativo diante da situação dos estoques.
Campanhas realizadas em parceria com o Hemocentro também poderão alcançar mais voluntários com os novos critérios. O TGS Solidário promove ações de doação há seis anos, em intervalos de quatro meses.
A parceria já resultou na doação de 120 litros de sangue, quantidade com potencial para impactar 1.080 vidas.
A coordenadora do projeto, Suelen Emerick, avaliou que a mudança nas regras cria uma oportunidade para aumentar a adesão às campanhas. Segundo ela, ampliar o acesso às informações também é importante porque parte das pessoas interessadas em doar ainda tem dúvidas sobre os critérios de aptidão.
Suelen também apontou o shopping como um espaço estratégico para as ações, por facilitar o encontro e a mobilização dos voluntários.
A próxima campanha do TGS Solidário em parceria com o Hemocentro será realizada em novembro, com inscrições pelo site do projeto.
Quem quiser doar diretamente pode procurar a Fundação Hemocentro de Brasília, localizada no Setor Médico Hospitalar Norte (SMHN), Quadra 3, Conjunto A, Bloco 3, na Asa Norte.



