A doação de leite humano voltou ao centro das campanhas de saúde pública no Distrito Federal. Neste mês, a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) promove uma série de mobilizações para incentivar mulheres lactantes a integrarem a rede de doadoras que abastece maternidades e unidades neonatais da capital.
A iniciativa ocorre em um momento de atenção para os estoques dos Bancos de Leite Humano, considerados essenciais para a alimentação de recém-nascidos prematuros, bebês de baixo peso e crianças internadas que não podem ser amamentadas pelas próprias mães.
Neste ano, a campanha internacional adotou o slogan “Doação de leite humano: solidariedade que nutre, vida que cresce”, escolhido por representantes de 37 países. No DF, a programação inclui ações educativas, encontros com mães, atividades em hospitais e campanhas digitais de conscientização.
De acordo com a coordenadora das políticas de aleitamento materno da SES-DF, Maria das Graças Cruz, o leite humano desempenha papel fundamental no fortalecimento da saúde neonatal. “O leite materno é um recurso essencial para os bebês mais frágeis porque ajuda na proteção contra infecções, contribui para o desenvolvimento saudável e reduz os riscos de complicações graves durante a internação”, afirma.
Ela destaca, ainda, que o alimento possui propriedades naturais que favorecem a recuperação dos recém-nascidos. “Existem substâncias presentes no leite humano que auxiliam diretamente na imunidade e no desenvolvimento do bebê. Isso faz diferença, principalmente, para crianças prematuras e com baixo peso”, explica.
Coletas ultrapassam 1,7 mil litros em março
Levantamento da Rede de Bancos de Leite Humano do DF aponta que mais de 4 mil recém-nascidos foram atendidos entre janeiro e março deste ano. Somente no último mês analisado, 1.439 bebês receberam leite humano processado pela rede pública.
O relatório também mostra que foram realizados 15.927 atendimentos no período e coletados 1.713 litros de leite humano apenas em março.
Grande parte desse trabalho ocorre por meio da parceria entre a Secretaria de Saúde e o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), responsável pelas visitas domiciliares para o recolhimento do leite armazenado pelas doadoras.
Mesmo com os resultados positivos, a SES-DF alerta que os estoques ainda operam abaixo da meta considerada ideal. Segundo a pasta, a queda nas doações registrada desde o fim do ano passado ainda impacta o abastecimento dos bancos de leite. “A necessidade de leite humano é permanente e varia conforme a demanda das unidades neonatais. Por isso, manter uma rede ativa de doadoras é indispensável para garantir atendimento aos bebês internados”, reforça a coordenadora.
Como participar da rede de doação
Mulheres que estejam amamentando, tenham boa condição de saúde e produzam leite além da necessidade do próprio bebê podem participar da campanha.
O Distrito Federal possui, atualmente, 14 Bancos de Leite Humano e sete Postos de Coleta distribuídos pela rede pública. O cadastro pode ser feito pelo telefone 160, opção 4, além das plataformas Amamenta Brasília e Portal do Cidadão.
Após a inscrição, as mães recebem orientações sobre higiene, armazenamento e conservação do leite. As equipes dos bombeiros fazem a retirada do material diretamente nas residências das voluntárias.
Depois da coleta, o leite passa por processos de análise e pasteurização antes de ser encaminhado aos hospitais da rede pública.
Além do atendimento aos recém-nascidos, os bancos de leite também funcionam como centros de apoio às mães, oferecendo acompanhamento, esclarecimento de dúvidas e suporte relacionado à amamentação.


