A farmácia do Hospital Cidade do Sol passou a operar com um sistema eletrônico que transforma o controle e a entrega de medicamentos na unidade. A tecnologia substitui os registros em papel, agiliza a rotina das equipes e amplia a rastreabilidade dos insumos utilizados no atendimento aos pacientes, reforçando a segurança assistencial.
Implantado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), o modelo utiliza leitores portáteis para identificar, por meio de código de barras, cada medicamento ou material hospitalar. A identificação é individual e acompanha o item desde a separação até a dispensação, com todas as informações registradas diretamente no sistema.
Antes da mudança, a conferência dependia de formulários impressos e de checagens manuais sucessivas. Com a digitalização, a validação passou a ser imediata, reduzindo o tempo de preparo dos medicamentos e minimizando a possibilidade de falhas no processo.
Segundo a superintendente de Administração e Logística do IgesDF, Barbara Santos, a adoção do sistema representa uma mudança no padrão de controle das farmácias hospitalares. “A conferência eletrônica garante que cada item seja verificado antes de chegar ao paciente, aumentando a segurança e reduzindo riscos inerentes aos processos manuais”, afirma.
Além dos ganhos operacionais, a eliminação do papel gera impacto direto nos custos. A estimativa é de uma economia diária de cerca de mil folhas A4. “O fluxo totalmente digital fortalece a transparência e permite um acompanhamento mais preciso do uso dos recursos públicos”, destaca.
Menos tempo operacional, mais foco na assistência
Desenvolvido internamente, o sistema foi testado no Hospital Cidade do Sol, que atua como unidade piloto para novas soluções. O farmacêutico responsável técnico, Misael Silva da Silveira, explica que a ferramenta permite acompanhar todas as etapas da dispensação. “O controle passa a ser contínuo, com rastreabilidade completa dos medicamentos”, resume.
Na prática, a automatização reduziu pela metade o tempo gasto na separação e conferência dos itens. Processos que antes demandavam até uma hora e meia passaram a ser concluídos em cerca de 30 minutos, liberando os profissionais para atividades diretamente ligadas à assistência aos pacientes.
A farmacêutica hospitalar Carolinny da Silva Dantas relata que todas as etapas são realizadas no ambiente eletrônico. “As prescrições ficam organizadas por turno e horário, e o preparo ocorre sem necessidade de impressão. Isso torna o trabalho mais ágil, seguro e organizado”, afirma.
O sistema também emite alertas automáticos sempre que há divergência entre o medicamento separado e a prescrição médica, funcionando como uma barreira adicional contra erros e ampliando a segurança do atendimento.
Expansão e impacto sistêmico
Para a gerente do hospital, Julia Gurgel, a mudança representa um avanço significativo na rotina da unidade. “A redução de etapas manuais melhora o controle, otimiza o tempo das equipes e contribui diretamente para a segurança do cuidado prestado”, avalia.
Com os resultados obtidos no Hospital Cidade do Sol, o IgesDF iniciou a implantação da tecnologia no Hospital Regional de Santa Maria. A previsão é de expansão gradual para as Unidades de Pronto Atendimento e para o Hospital de Base do Distrito Federal, consolidando um modelo que alia inovação tecnológica, eficiência operacional e fortalecimento da assistência no sistema público de saúde.


