As escolas públicas do Distrito Federal intensificaram, neste mês, as ações de prevenção e combate à violência sexual contra crianças e adolescentes. Dentro da campanha Maio Laranja, a Secretaria de Educação do DF (SEEDF) vem promovendo atividades de conscientização, capacitação de profissionais e fortalecimento da rede de proteção nas unidades de ensino.
Mais do que espaços voltados ao aprendizado, as escolas têm atuado como pontos estratégicos de acolhimento e identificação de sinais de violência. A iniciativa busca ampliar o diálogo com estudantes, professores e famílias, além de orientar sobre formas de denúncia e encaminhamento de casos suspeitos.
Entre as medidas desenvolvidas pela pasta está a atuação da Assessoria Especial de Cultura de Paz, que coordena atividades educativas em parceria com diferentes instituições. Em conjunto com a Polícia Federal, por exemplo, estão sendo realizadas palestras e ações de orientação sobre violência sexual, segurança digital e mecanismos de proteção para crianças e adolescentes.
A secretária de Educação interina, Iêdes Braga, afirmou que o ambiente escolar desempenha papel decisivo na proteção dos estudantes e no fortalecimento da rede de apoio. “Em muitos casos, é na escola que crianças e adolescentes conseguem demonstrar sinais de sofrimento ou encontram confiança para buscar ajuda. Por isso, investir em prevenção e conscientização é fundamental para garantir proteção e acolhimento”, declarou.
As ações também incluem formação continuada para servidores da educação. A Unidade-Escola de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (Eape) promove encontros voltados à preparação das equipes escolares para reconhecer mudanças comportamentais e possíveis indícios de violência.
Segundo o delegado da Polícia Federal Thiago Rezende, a informação continua sendo uma das ferramentas mais importantes no enfrentamento aos abusos. “Quando professores, estudantes e famílias entendem como identificar sinais e conhecem os canais corretos de denúncia, aumentamos a capacidade de interromper situações de violência e ampliar a proteção das vítimas”, destacou.
Outro reforço nas ações do Maio Laranja foi o lançamento de uma edição especial do Boletim de Saúde do Estudante, produzido pela Diretoria de Atendimento e Apoio à Saúde do Estudante (Diase). O material orienta profissionais da educação sobre como agir diante de suspeitas de abuso e exploração sexual.
O boletim reúne informações sobre sinais físicos, emocionais e comportamentais que podem indicar situações de violência, como isolamento, alterações bruscas de comportamento, queda no rendimento escolar e faltas recorrentes.
De acordo com a diretora da Diase, Larisse Cavalcante, a proposta é fortalecer o papel das escolas dentro da rede de proteção, sem atribuir aos profissionais a função de investigação. “O trabalho da escola é acolher, observar e encaminhar corretamente as situações suspeitas. A prevenção é indispensável, e a educação sexual protetiva, desenvolvida de forma responsável, ajuda crianças e adolescentes a reconhecer situações de risco”, explicou.
A orientação da secretaria é que casos suspeitos ou confirmados sejam comunicados imediatamente aos órgãos competentes, como Conselho Tutelar, Polícia Civil, Creas e Disque 100.
Além das atividades pedagógicas, a SEEDF também promoveu um videocast com a psicóloga Neusa Maria, uma das idealizadoras do projeto “Eu me Protejo”, voltado à conscientização sobre prevenção da violência sexual infantil.
Nas escolas da rede pública do DF, o tema segue sendo trabalhado durante todo o ano letivo por meio de debates, rodas de conversa e atividades educativas voltadas à promoção do respeito, da cidadania e da proteção de crianças e adolescentes.


