Um novo modelo de diagnóstico oftalmológico começa a ser testado na rede pública do Distrito Federal com o uso de tecnologia digital e apoio de especialistas à distância. A Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) iniciou a implantação de exames de retinografia em 15 unidades da rede básica, dentro de um projeto-piloto desenvolvido em parceria com núcleos de telessaúde da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal de Goiás (UFG).
A preparação das equipes começou na última quarta-feira (11), com o treinamento de profissionais para operar os equipamentos recém-adquiridos. A capacitação ocorreu logo após a cerimônia de lançamento da iniciativa no Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), instituição que também participa da articulação acadêmica do projeto.
A proposta busca ampliar a capacidade da atenção primária de identificar precocemente doenças oculares, utilizando imagens digitais do fundo do olho. O exame de retinografia permite registrar fotografias de alta precisão da retina, recurso que auxilia na detecção de alterações relacionadas a enfermidades como retinopatia diabética, glaucoma, degeneração macular e até descolamento de retina.
Para o coordenador de Atenção Primária da SES-DF, Afonso Mendes Júnior, o projeto representa um avanço na forma de acompanhar a saúde ocular da população dentro da rede pública. Segundo ele, a tecnologia contribui para fortalecer ações de prevenção e ampliar o alcance dos diagnósticos. “Mais do que introduzir um equipamento novo, estamos estruturando uma estratégia de cuidado que ajuda a proteger a saúde da população e a identificar problemas antes que se agravem”, afirmou.
Um dos principais diferenciais da iniciativa está na integração com especialistas por meio da telemedicina. As imagens captadas nas unidades serão enviadas para análise de oftalmologistas vinculados às universidades parceiras, responsáveis por emitir os laudos. Esse formato permite que os pacientes tenham acesso à avaliação especializada sem a necessidade de deslocamento para centros de referência.
Os equipamentos foram instalados em diferentes pontos da rede pública, incluindo unidades básicas de saúde e centros especializados que acompanham pacientes com doenças crônicas. Entre as unidades contempladas estão a UBS 17 de Ceilândia, a UBS 7 de Samambaia e a UBS 1 de Santa Maria, além de policlínicas e serviços voltados ao atendimento de pessoas com diabetes e hipertensão, grupos com maior risco de desenvolver complicações oculares.
A Secretaria de Saúde avalia que o projeto poderá abrir caminho para ampliar o uso da telessaúde em outras especialidades médicas. A expectativa é que, após a fase inicial, a estratégia seja estendida para áreas como cardiologia e dermatologia, com oferta de telediagnóstico, teleconsultorias e atendimentos remotos.
De acordo com a coordenadora de Atenção Secundária e Integração de Serviços da SES-DF, Juliana Soares, a iniciativa representa um primeiro passo para ampliar a integração entre tecnologia e assistência na rede pública. “Estamos iniciando um serviço que tende a crescer e se tornar mais estruturado, ampliando o acesso da população a diagnósticos especializados”, afirmou.


