O avanço das obras do Hospital do Recanto das Emas marca uma nova fase na construção de uma unidade considerada estratégica para a rede pública de saúde do Distrito Federal. Após praticamente concluir a etapa de fundação, o projeto entra no estágio de execução da estrutura do prédio, que terá três pavimentos e será voltado ao atendimento de alta complexidade.
Com investimento de R$ 133,7 milhões, o hospital começa a ganhar forma após a implantação de 508 estacas profundas, que chegam a até 22 metros e garantem a sustentação da edificação. A partir de agora, os trabalhos se concentram na elevação do edifício. Em seguida, o cronograma prevê o início das instalações elétricas e hidráulicas.
O canteiro de obras reúne atualmente 66 profissionais, entre operários e equipes técnicas. Esse número deve crescer de forma significativa nas próximas etapas, podendo atingir cerca de 350 trabalhadores nos momentos de maior demanda.
A construção é conduzida pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital, responsável pela execução do projeto, enquanto a Secretaria de Saúde do Distrito Federal assumirá a gestão da unidade após a conclusão.
Novo modelo e soluções construtivas
Diferentemente de obras tradicionais, o hospital está sendo viabilizado por meio de contratação integrada, modelo em que uma única empresa responde por todas as etapas, do projeto à entrega final.
De acordo com a arquiteta da Novacap Fernanda Bouglex, essa metodologia representa uma mudança na forma de conduzir grandes obras públicas. “Nesse formato, não há separação entre quem projeta e quem executa. Isso permite alinhar melhor as decisões e tende a tornar o processo mais ágil”, explica.
Outro destaque é a adoção do sistema “bubble deck” na estrutura das lajes. A técnica utiliza esferas ocas de plástico reciclado dentro do concreto, reduzindo o volume de material em áreas que não exigem alta resistência.
Segundo a arquiteta, a tecnologia traz ganhos importantes. “A estrutura fica mais leve e o ritmo de execução melhora. Além disso, há economia de insumos como concreto e aço, o que torna a obra mais eficiente”, afirma.
O projeto também prevê um pavimento técnico dedicado às instalações prediais, solução que facilita manutenções futuras.
“Com esse espaço específico, conseguimos intervir nas redes do hospital sem interromper o funcionamento. Isso reduz impactos e melhora a operação ao longo do tempo”, acrescenta.
Projeto prioriza bem-estar
Além dos aspectos técnicos, o hospital foi planejado com foco na humanização dos ambientes. A proposta inclui áreas verdes e valorização da iluminação natural nos espaços internos.
Segundo Fernanda Bouglex, a concepção do projeto levou em conta estudos que relacionam o ambiente à recuperação dos pacientes. “A ideia foi criar um espaço mais acolhedor, com contato visual com o exterior. Isso pode contribuir positivamente no processo de tratamento”, destaca.
Quando estiver pronto, o Hospital do Recanto das Emas contará com 100 leitos, distribuídos entre clínica médica, pediatria e UTI pediátrica. A unidade terá ainda seis consultórios, sendo parte destinada ao ambulatório e parte à emergência infantil, além de um centro cirúrgico com duas salas.
A área de diagnóstico incluirá exames de raio X, tomografia e ultrassonografia. Também fazem parte da estrutura setores como farmácia, laboratório, nutrição, lavanderia, Central de Material Esterilizado (CME), almoxarifado e espaços voltados a ensino e pesquisa.
A obra utiliza a tecnologia BIM, que permite o planejamento digital em três dimensões, garantindo maior precisão na execução. O projeto também busca certificação ambiental, com foco em eficiência energética e sustentabilidade.
Demanda antiga da comunidade
A construção do hospital atende a uma reivindicação histórica dos moradores do Recanto das Emas, que atualmente dependem de deslocamentos para outras regiões em busca de atendimento, como o Hospital Regional de Taguatinga.
Morador da cidade há décadas, o servidor público Carlos Augusto Lopes, de 55 anos, afirma que a obra representa um avanço importante. “Há muitos anos se fala nesse hospital. Hoje, precisamos sair da cidade para conseguir atendimento, e isso pesa no bolso de muita gente”, diz.
Ele destaca que o impacto será regional. “Não é só o Recanto que ganha. Outras áreas próximas também vão ser atendidas. Vai facilitar bastante o acesso à saúde”, avalia.
A aposentada Hilda Ferreira, de 76 anos, também acompanha o andamento da obra com expectativa. “A gente esperou muito por isso. Muitas vezes é preciso recorrer ao particular porque o atendimento público não dá conta”, afirma.
Para ela, a proximidade da unidade será um diferencial. “Ter um hospital aqui perto vai ajudar muito, principalmente para quem tem dificuldade de locomoção. Agora é torcer para que fique pronto logo”, completa.


