Um levantamento da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) mostra a dimensão da violência doméstica na capital do país e a resposta das forças de segurança diante desse tipo de crime. De acordo com o estudo, em 2025 um agressor foi preso, em média, a cada uma hora e meia no Distrito Federal por crimes relacionados à violência doméstica.
Ao longo do ano, foram registradas 5.588 prisões de agressores, resultado de investigações e ações policiais conduzidas pelas forças de segurança do DF. O levantamento foi elaborado pela Subsecretaria de Gestão da Informação (SGI) da SSP-DF e também analisou o perfil das vítimas e dos autores, os horários e locais de maior incidência das ocorrências e os índices de reincidência.
No mesmo período, o Distrito Federal registrou 23.066 ocorrências de agressões contra mulheres, número que evidencia a magnitude do problema e reforça a importância das políticas públicas de prevenção e proteção.
A vice-governadora Celina Leão destaca que o monitoramento detalhado dos dados é essencial para aprimorar as estratégias de enfrentamento à violência contra a mulher.
Segundo ela, compreender o perfil das vítimas, dos agressores e as circunstâncias em que os crimes acontecem permite orientar ações mais eficientes. “O estudo do perfil das vítimas e dos autores tem sido fundamental para aperfeiçoarmos as políticas públicas de proteção às mulheres no Distrito Federal. Quando conseguimos identificar padrões e compreender melhor como esses crimes acontecem, é possível direcionar ações de prevenção de forma mais eficaz”, afirma.
Celina também ressalta que a denúncia é um elemento central para interromper ciclos de violência. “A denúncia é o primeiro passo para que as forças de segurança possam agir. É por meio dela que os agressores são investigados e presos, garantindo proteção às vítimas e responsabilização dos autores.”
O secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, afirma que o combate à violência doméstica ocupa posição prioritária nas estratégias da pasta. “Trabalhamos com base em dados e evidências. Esse acompanhamento permite entender melhor como e quando esses crimes acontecem, o que fortalece nossas ações de prevenção e a atuação das forças de segurança para proteger as vítimas e responsabilizar os agressores”, afirma.
Para a secretária da Mulher do DF, Giselle Ferreira, o enfrentamento à violência exige integração entre diferentes áreas do governo e uma rede de acolhimento estruturada. “A atuação rápida e articulada entre os órgãos é fundamental para fortalecer a rede de proteção e ampliar a eficácia das políticas de prevenção e combate à violência doméstica”, ressalta.
Finais de semana concentram mais casos
A análise dos registros mostra que os finais de semana concentram 36% das ocorrências, especialmente no período noturno. O domingo aparece como o dia com maior número de registros, respondendo sozinho por 19% dos casos.
Outro dado relevante é o local onde os episódios acontecem. Em 69,4% das ocorrências, a violência foi registrada dentro das próprias residências, o que reforça o caráter doméstico e, muitas vezes, silencioso desse tipo de crime.
Entre os tipos de violência registrados, a violência psicológica aparece em 77% dos casos, enquanto a violência física está presente em 29,3% das ocorrências.
Mulheres jovens estão entre as principais vítimas
O levantamento mostra que a violência doméstica atinge mulheres de diferentes faixas etárias, mas há maior incidência entre as mais jovens.
Mulheres entre 18 e 29 anos representam 32,3% das vítimas, enquanto aquelas com idade entre 30 e 39 anos correspondem a 30,9% dos registros.
O estudo também aponta que todas as ocorrências tiveram autoria identificada, resultando em 20.160 autores distintos. Na maioria dos casos, os crimes foram praticados por homens: 89,5% dos agressores são do sexo masculino, enquanto 10,5% das ocorrências tiveram mulheres como autoras.
Outro aspecto identificado pelo levantamento é a reincidência. Das 20.572 vítimas do sexo feminino registradas em 2025, 2.628 mulheres tiveram dois ou mais registros de ocorrência no mesmo ano, o que representa 12,8% do total e revela a persistência da violência em parte dos casos.
Denúncia continua sendo ferramenta essencial
As autoridades reforçam que denunciar é fundamental para interromper o ciclo de violência e garantir proteção às vítimas.
No Distrito Federal, além das delegacias circunscricionais e das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), também é possível registrar ocorrências por meio da plataforma Maria da Penha Online, que permite solicitar medidas protetivas de urgência e anexar documentos, vídeos e imagens relacionados ao caso.
Sandro Avelar destaca que a participação da sociedade é essencial. “A violência contra a mulher é um problema que precisa do envolvimento de toda a sociedade. Sempre que houver suspeita ou confirmação de agressão, é importante denunciar para que possamos agir rapidamente.”
As denúncias podem ser feitas à Polícia Civil do DF pela plataforma online, pelo e-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br, pelo telefone 197 ou pelo WhatsApp (61) 98626-1197. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
Tecnologia reforça proteção às vítimas
O levantamento também aponta aumento de 17,3% nos casos de descumprimento de medidas protetivas em 2025. Para enfrentar esse tipo de situação, a SSP-DF mantém programas de monitoramento e proteção que utilizam tecnologia.
Um deles é o Dispositivo de Proteção à Pessoa (DPP), que utiliza georreferenciamento para monitorar a aproximação entre agressor e vítima. Nesse sistema, o agressor utiliza tornozeleira eletrônica e a vítima recebe um dispositivo de alerta. Caso a área de exclusão definida pela Justiça seja violada, as forças de segurança são acionadas imediatamente.
Atualmente, 627 pessoas são monitoradas pelo sistema, sendo 553 vítimas e 74 agressores.
Outro mecanismo é o programa Viva Flor, que permite que mulheres em situação de risco acionem rapidamente a rede de proteção. Hoje, 1.734 mulheres são atendidas pelo programa em todo o Distrito Federal.
Desde agosto de 2025, o Viva Flor também passou a ser implementado em delegacias circunscricionais, ampliando o acesso ao serviço em regiões como Paranoá, Planaltina, Gama, Santa Maria e Brazlândia, além das unidades especializadas da Asa Sul e de Ceilândia.
Rede de apoio amplia proteção
O enfrentamento à violência contra a mulher no Distrito Federal também envolve uma rede integrada de serviços coordenada pelo Governo do Distrito Federal.
Entre as iniciativas estão a Casa da Mulher Brasileira, os Espaços Acolher, os Centros Especializados de Atendimento e Proteção à Mulher e os comitês de proteção à mulher distribuídos nas regiões administrativas.
Além do atendimento psicológico e jurídico, a rede oferece medidas de apoio social às vítimas, como o Aluguel Social para mulheres em situação de violência e o programa Acolher Eles e Elas, que garante assistência financeira a crianças e adolescentes que perderam as mães em casos de feminicídio.


