O Distrito Federal viveu, em 2025, um dos períodos mais críticos relacionados à circulação do vírus influenza. Ao longo do ano, mais de 1,4 mil pessoas desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em decorrência da infecção, o que representa um crescimento de 146% em comparação com 2024, quando foram registrados 578 casos. Diante do cenário, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal voltou a convocar a população para atualizar a imunização contra a gripe até 31 de janeiro.
A vacinação está disponível para quem tem a partir de 6 meses de idade e não recebeu a dose em 2025. Para ampliar o acesso, a rede pública mantém mais de cem salas de vacinação ativas em diferentes regiões administrativas do DF.
Os números da Secretaria de Saúde indicam que a influenza teve impacto mais severo do que a covid-19 no último ano. Em 2025, o vírus da gripe foi responsável por 65 mortes, enquanto a covid-19 registrou 37 óbitos no mesmo período. Já em 2024, foram contabilizados 1.434 casos de influenza, frente a 487 de covid-19. Em ambos os anos, idosos e crianças pequenas figuraram entre os grupos mais atingidos pelas formas graves das doenças.
Para a gerente de Vigilância das Doenças Imunopreveníveis e de Transmissão Hídrica e Alimentar da Secretaria de Saúde, Renata Brandão, o comportamento da doença reforça a necessidade de prevenção. “No último ano, as síndromes associadas ao vírus influenza foram a principal causa de óbitos entre idosos e também estiveram entre as maiores causas de morte em crianças”, alerta.
Mesmo com ampla oferta do imunizante, a adesão à vacinação permanece abaixo do esperado nos grupos considerados prioritários. Ao longo de 2025 e nas primeiras semanas de 2026, a Secretaria de Saúde aplicou mais de 880 mil doses da vacina contra a gripe. Ainda assim, apenas 22,4% das gestantes, 53% das crianças de 6 meses a menores de 6 anos e 57,7% das pessoas com 60 anos ou mais foram vacinadas, bem abaixo da meta de 90% estipulada pelas autoridades sanitárias. Atualmente, o estoque disponível na rede pública soma pouco mais de 136 mil doses.
A gerente substituta da Rede de Frio Central da Secretaria de Saúde, Laís Soares, explica que a vacina ofertada protege contra os vírus Influenza A (H1N1 e H3N2) e Influenza B. “A vacinação é a principal ferramenta para reduzir internações, casos graves e mortes, além de garantir o melhor aproveitamento das doses disponíveis”, afirma.
Ela ressalta ainda que a imunização precisa ser renovada todos os anos, mesmo para quem já se vacinou anteriormente. “O imunizante passa por atualização anual conforme as cepas com maior circulação naquele período, e a proteção conferida dura de seis a doze meses”, explica.
De acordo com a Secretaria de Saúde, pessoas que já tomaram a vacina contra a gripe em 2025 não precisam receber nova dose agora. A orientação atual é destinada exclusivamente a quem não se imunizou no último ano.
Com o aumento expressivo dos casos e a circulação ativa do vírus influenza, a Secretaria reforça que a vacinação continua sendo a principal estratégia para conter a gravidade da doença, proteger os grupos mais vulneráveis e evitar o agravamento do cenário epidemiológico no Distrito Federal.


