Três das pessoas atingidas pela descarga elétrica registrada na Praça do Cruzeiro no último domingo (25) receberam alta médica nesta terça-feira (27) após atendimento no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Ao todo, 14 vítimas deram entrada na unidade da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) depois do incidente provocado por um raio durante o temporal.
Assim que os pacientes chegaram, o hospital ativou protocolos de emergência para garantir avaliação imediata e acompanhamento especializado. Os casos considerados mais graves foram direcionados à Unidade de Tratamento de Queimaduras, referência no atendimento desse tipo de lesão na rede pública do DF.
A unidade atende pacientes do Distrito Federal e também de cidades do Entorno, reunindo equipes multiprofissionais para assegurar assistência integral. O cuidado envolve controle da dor, tratamento das lesões e suporte à reabilitação física e emocional.
Além das vítimas do raio, o serviço acompanha outros pacientes em situações complexas, como o eletricista Sávio Bezerra, de 29 anos. Ele sofreu queimaduras extensas após contato com um cabo energizado durante uma atividade profissional. Internado desde novembro, passou por tratamento intensivo nos membros superiores e na coxa e agora se prepara para concluir a fase hospitalar.
Sávio afirma que o período de internação foi decisivo para a recuperação. “Aqui eu tive acompanhamento o tempo todo. Sempre explicaram o que estavam fazendo e se preocuparam com o meu conforto. Isso faz muita diferença quando a gente está machucado”, relatou.
Mesmo após a alta, o acompanhamento médico seguirá de forma ambulatorial. O paciente continuará retornando ao hospital para troca de curativos e sessões de fisioterapia, etapa considerada essencial para prevenir sequelas funcionais.
Segundo a enfermeira Aline Leão Simões, cada paciente recebe um plano terapêutico específico, de acordo com a gravidade das lesões. “Não é apenas tratar a ferida. Avaliamos o estado geral, o impacto psicológico e as condições sociais. O cuidado vai além da internação”, explicou.
Queimaduras superficiais geralmente podem ser tratadas sem necessidade de internação. Já lesões profundas ou extensas exigem observação contínua e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos. Somente em 2025, o serviço contabilizou quase sete mil atendimentos, incluindo pronto-socorro, ambulatório, enfermaria e centro cirúrgico.
De acordo com a equipe médica, a maioria das ocorrências está relacionada a acidentes domésticos, principalmente envolvendo líquidos quentes ou fogo direto. Cozinhas concentram grande parte dos registros. Já os acidentes elétricos, sobretudo em redes de alta tensão, estão associados aos quadros mais graves.
Em situações de queimadura, a orientação é interromper imediatamente o contato com a fonte de calor e lavar o local atingido com água corrente por cerca de 20 minutos. Em seguida, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde para avaliação e tratamento adequados.


