Cuidar de quem está por trás do funcionamento do Estado deixou de ser apenas uma pauta interna e passou a ocupar papel estratégico na gestão pública do Distrito Federal. Essa foi a tônica do IV Encontro Anual de Qualidade de Vida no Trabalho, realizado nesta quinta-feira (19), que reuniu servidores e gestores e reconheceu iniciativas que vêm transformando o ambiente de trabalho no serviço público.
Durante o evento, realizado no auditório do Complexo da Polícia Civil, 18 órgãos foram premiados com o Selo QualiVida 2026, certificação que destaca práticas voltadas ao bem-estar físico, emocional e organizacional dos servidores. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Economia (Seec-DF), por meio da Secretaria Executiva de Valorização e Qualidade de Vida (Sequali), com base em ações implementadas ao longo de 2025.
Mais do que reconhecer boas práticas, a premiação evidencia uma mudança de mentalidade dentro da administração pública: a de que a qualidade do atendimento ao cidadão começa pelas condições oferecidas a quem executa as políticas públicas.
O secretário de Economia, Daniel Izaias, destacou que o reconhecimento tem impacto direto na gestão. “Mais do que um prêmio, isso permite acompanhar, de forma concreta, se as políticas de qualidade de vida estão saindo do papel e gerando resultado”, afirmou. Segundo ele, ambientes mais acolhedores influenciam diretamente o desempenho. “Quando o servidor encontra um espaço de trabalho mais equilibrado, ele consegue atender melhor e com mais precisão quem depende do serviço público”, acrescentou.
Izaias também ressaltou que a produtividade tende a crescer de forma natural nesse contexto. “Ao invés de focar só em cobrança, quando o governo passa a cuidar mais das pessoas, os resultados aparecem de maneira consistente e com mais qualidade”, pontuou.
A mesma visão é compartilhada pelo secretário-executivo da Sequali, Epitácio Júnior. “A proposta da política de qualidade de vida é simples: cuidar de quem está na linha de frente do serviço público”, disse. Ele destacou que iniciativas como a política de saúde mental, a Academia Buriti e o Berçário Buriti ampliam o suporte aos servidores. “São ações que olham o servidor de forma completa, inclusive em momentos importantes da vida pessoal. Isso faz diferença no dia a dia”, explicou.
Para Epitácio, esse cuidado é essencial para o funcionamento do Estado. “Não existe atendimento de qualidade se o servidor não tiver condições adequadas para trabalhar bem”, afirmou.
Exemplos que fazem diferença
Entre os destaques da premiação, a Secretaria de Educação do Distrito Federal se sobressaiu ao conquistar o selo Ouro e também o Prêmio de Excelência em Gestão, na categoria Diamante — a mais alta da certificação.
A secretária Hélvia Paranaguá atribuiu o reconhecimento a um trabalho contínuo dentro da pasta. “Qualidade de vida não se resume a uma ação isolada. É algo construído todos os dias, desde o momento em que o servidor entra na rede até o fim da carreira”, destacou.
Ela também ressaltou o conjunto de iniciativas em andamento. “Temos espaços de acolhimento, ambientes voltados à escuta e à convivência e estamos avançando com ações que fortalecem o lado socioemocional dos nossos profissionais”, disse. Segundo a secretária, a meta é ampliar esse cuidado de forma permanente. “A ideia é continuar evoluindo para garantir um ambiente cada vez mais saudável dentro da rede”, completou.
Outro exemplo veio do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), também reconhecido com o selo Ouro. O comandante-geral, coronel Moisés Barcelos, destacou o pioneirismo da corporação. “Fomos a primeira instituição militar do país a estruturar uma política própria de qualidade de vida no trabalho”, afirmou.
Segundo ele, o foco é garantir apoio integral aos profissionais. “Não estamos falando só de preparo físico. Existe também um olhar para o emocional, especialmente depois de ocorrências mais difíceis, e para o bem-estar como um todo”, explicou. Para o comandante, esse cuidado impacta diretamente no serviço prestado. “Um profissional bem assistido consegue servir melhor à população”, resumiu.
Entre as administrações regionais, o SIA também se destacou ao receber o selo Ouro. A diretora de Articulação, Lázara Rosa, relembrou as mudanças na unidade. “A gente trabalhava em um espaço antigo, com pouca estrutura. Hoje temos um ambiente mais adequado, organizado e com melhores condições para a equipe”, contou.
Ela destacou que as melhorias foram além da infraestrutura. “Passamos a investir também no cuidado com os servidores, com atendimento psicológico e atividades como ginástica laboral”, afirmou. Segundo Lázara, os resultados já são visíveis. “A gente percebe menos afastamentos, menos atrasos e uma equipe mais motivada. Isso se reflete diretamente na forma como atendemos o público”, disse.
Reconhecimento e impacto
A avaliação dos órgãos levou em conta cinco critérios principais: saúde, profissionalismo, estrutura, estima e desenvolvimento pessoal. A partir desses eixos, os participantes foram classificados nas categorias Ouro, Prata e Bronze, além da premiação máxima em excelência de gestão.
A Secretaria de Educação foi a única a alcançar a categoria Diamante. Já na categoria Ouro, também foram reconhecidos órgãos como Detran-DF, SLU, Defensoria Pública, CEB e CBMDF, além da Administração Regional do SIA.
Na categoria Prata, aparecem instituições como SSP-DF, IPEDF, Jucis-DF, CGDF e TCDF. Já na categoria Bronze, foram premiadas secretarias como Saúde, Justiça, Desenvolvimento Social, Administração Penitenciária, Obras e a Administração Regional de Águas Claras.
Encerrando o encontro, uma apresentação do grupo teatral G7 trouxe leveza ao evento e reforçou, de forma descontraída, a importância de ambientes de trabalho mais equilibrados e saudáveis.
Ao consolidar políticas voltadas ao bem-estar dos servidores, o Governo do Distrito Federal reforça uma mudança importante na gestão pública. A lógica é direta: quando quem executa as políticas públicas está bem, o resultado chega com mais qualidade até o cidadão.


