O Distrito Federal iniciou neste mês uma nova etapa de proteção à saúde infantil com a aplicação do Nirsevimabe em bebês prematuros e crianças pequenas com comorbidades. A medicação é indicada para recém-nascidos com menos de 37 semanas de gestação e para crianças de até dois anos que apresentem condições clínicas como doenças cardíacas, pulmonares, neurológicas ou imunológicas.
A estratégia coloca o DF entre as primeiras unidades da federação a adotar o imunizante de forma estruturada. Desde abril de 2025, bebês já vêm sendo protegidos contra formas graves de infecção pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite e uma das maiores causas de internação nos primeiros meses de vida. A medida atua de forma complementar à vacinação de gestantes, disponível a partir da 28ª semana de gravidez, garantindo uma linha contínua de proteção desde o nascimento.
Para preparar a rede assistencial, profissionais de saúde participaram, na terça-feira (3), de uma capacitação realizada no Hospital Regional de Santa Maria. A atividade foi promovida pela Secretaria de Saúde do DF e reuniu equipes das salas de vacinação, núcleos hospitalares de vigilância epidemiológica e outros setores estratégicos da rede.
Durante o encontro, os profissionais receberam orientações técnicas sobre a aplicação segura do medicamento, além de conteúdos relacionados à prevenção e ao controle de infecções respiratórias graves em recém-nascidos. A programação incluiu discussões sobre indicações clínicas, preparo e administração do imunobiológico, monitoramento de possíveis eventos adversos e a importância do registro adequado das informações nos sistemas oficiais de saúde.
De acordo com a gerente substituta da Rede de Frio, Laís de Morais, o treinamento foi estruturado para garantir qualidade em todas as etapas do processo. “A capacitação busca assegurar que os profissionais estejam alinhados tecnicamente, atuem com segurança na administração do medicamento e compreendam a relevância do registro correto das informações. Esses cuidados são fundamentais para o sucesso da estratégia no DF”, afirmou.
Redução de internações e fortalecimento da rede neonatal
Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 300 mil doses do Nirsevimabe já foram distribuídas em todo o país. O VSR responde por aproximadamente 75% dos casos de bronquiolite e por cerca de 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos, o que reforça a importância da adoção de medidas preventivas antes do período de maior circulação do vírus.
No Hospital Regional de Santa Maria, a capacitação já reflete diretamente na rotina assistencial. Segundo a chefe do Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar da unidade, Larysse Lima, o impacto da estratégia é significativo. “O hospital registra mais de mil nascimentos de bebês prematuros por ano. A introdução do Nirsevimabe representa um avanço relevante na proteção desse público, especialmente dos mais vulneráveis”, ressaltou.
Ela destaca ainda que a preparação das equipes permitiu a rápida incorporação da medida na prática. Na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais, todos os bebês que se enquadram nos critérios já receberam o imunizante, ampliando a segurança do cuidado neonatal e contribuindo para a prevenção de quadros graves de bronquiolite.
Quem deve receber o imunizante
A aplicação do Nirsevimabe teve início na última segunda-feira (2). Devem ser imunizados bebês nascidos com até 36 semanas e seis dias de gestação, além de crianças com até 24 meses de idade que apresentem comorbidades.
A administração ocorre antes do período de maior incidência de infecções respiratórias em bebês, com o objetivo de reduzir complicações clínicas, internações e a pressão sobre leitos de UTI neonatal. A Secretaria de Saúde disponibilizou uma lista com os locais de aplicação do medicamento em todo o Distrito Federal.


