A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, elevou o tom ao tratar da situação do Banco de Brasília durante sabatina no programa Vozes da Comunidade, ao afirmar que a instituição enfrenta um cenário de “isolamento” por parte do governo federal.
Segundo a chefe do Executivo local, apesar da mobilização do mercado financeiro privado para colaborar com a recuperação do banco, não houve, até o momento, sinalizações concretas de apoio por parte da União.
“Os bancos privados entraram, nos ajudaram muito, voltaram a fazer trocas financeiras com o BRB. Ou seja, há um comprometimento do mercado financeiro privado em ajudar o BRB, mas até agora não houve nenhuma sinalização da parte pública.”
Durante a entrevista, Celina detalhou uma proposta em análise que prevê a aquisição de parte dos ativos ligados à operação com o Banco Master, no valor de R$ 15 bilhões.
De acordo com a governadora, cerca de R$ 4 bilhões seriam pagos de forma imediata, enquanto o restante seria recuperado gradualmente por meio de ativos vinculados à operação.
A medida, segundo ela, não resolve integralmente a situação, mas melhora a liquidez do banco e cria condições para soluções complementares.
Ao comparar o cenário atual com episódios anteriores do sistema financeiro, Celina fez referência a momentos em que o governo federal atuou para socorrer instituições bancárias, destacando o que considera um tratamento desigual.
“Se fala tanto em pacto federativo… vamos lembrar quantos bancos já foram ajudados. O que vemos agora é um isolamento do DF.”
A governadora também indicou que o tema exige responsabilidade institucional e reforçou que, mesmo não tendo participado de decisões anteriores relacionadas ao banco, cabe à sua gestão conduzir a solução.
A fala ocorre em um contexto de forte repercussão política em torno do BRB, que já é alvo de investigações e debates envolvendo diferentes esferas de poder.
Celina também criticou setores da oposição, sugerindo que há tentativa de exploração política do tema em um momento sensível para a instituição.
A proposta apresentada ainda depende de análises técnicas e encaminhamentos institucionais, incluindo diálogo com o Banco Central, para avançar.
Enquanto isso, o caso segue como um dos principais pontos de tensão política no Distrito Federal, com potencial de impacto direto no ambiente econômico e no debate eleitoral.


