A campanha de vacinação contra a dengue no Distrito Federal ainda enfrenta dificuldades para garantir que todos os adolescentes que iniciaram a imunização completem o esquema vacinal. Entre os jovens de 10 a 14 anos que receberam a primeira dose, aproximadamente 45 mil ainda não receberam a segunda aplicação, conforme dados da Secretaria de Saúde.
O levantamento da pasta, atualizado até outubro, contabiliza 123,9 mil primeiras doses e 78,9 mil segundas aplicações. No total, foram administradas 208,9 mil doses nesse público. Para ampliar a cobertura, a rede pública mantém mais de 130 salas de vacinação em funcionamento, com imunizantes disponíveis e prazo de validade até setembro de 2027.
A preocupação das autoridades sanitárias, entretanto, não se limita à quantidade de adolescentes com a vacinação pendente. O Distrito Federal também acompanha uma mudança no perfil dos vírus em circulação. O sorotipo 3, que não predominava entre 2022 e 2024, passou a apresentar maior participação nas amostras analisadas nos últimos dois anos.
A dimensão dessa mudança aparece nos dados laboratoriais. Neste ano, até 17 de outubro, 72 das 113 amostras submetidas a análises genéticas identificaram a presença do sorotipo 3, o equivalente a aproximadamente 63,7%. Em 2025, no mesmo período, foram 79 ocorrências dessa variante entre 177 amostras, o equivalente a 44,6%. O número geral de casos prováveis, entretanto, caiu de 10.303 no ano passado para 3.696 em 2026.
A proximidade do período chuvoso é outro fator que mantém a dengue no radar da vigilância epidemiológica. Historicamente, as chuvas favorecem a reprodução do mosquito Aedes aegypti e podem provocar aumento das notificações da doença.
A diretora de Vigilância Epidemiológica da SES-DF, Juliane Malta, chama a atenção para um aspecto importante da doença: quem já foi infectado não está necessariamente protegido contra uma nova infecção. A imunidade adquirida após a dengue é específica para o sorotipo responsável pela primeira infecção, sem garantir proteção completa contra os demais.
O imunizante disponibilizado pelo sistema público oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus, mas é necessário completar o esquema vacinal para obter a proteção prevista. A orientação é que pais e responsáveis verifiquem a situação vacinal dos adolescentes e procurem uma unidade de saúde para a aplicação da segunda dose, quando indicada.
Sintomas e tratamento
A dengue causada pelo sorotipo 3 não apresenta um conjunto específico de sintomas. Febre, dor de cabeça, indisposição, dores musculares e dor atrás dos olhos também são manifestações comuns nas infecções provocadas pelos demais tipos do vírus.
Segundo Aline Folle, gerente de Vigilância das Doenças Transmissíveis da secretaria, o tratamento envolve hidratação e repouso. A recomendação é evitar a automedicação, pois determinados medicamentos podem agravar o quadro clínico.
Prevenção também depende do combate ao mosquito
Além da imunização, o enfrentamento à doença depende da eliminação dos locais onde o mosquito deposita seus ovos. A SES-DF orienta os moradores a inspecionar regularmente imóveis, quintais e jardins, retirando recipientes que possam acumular água.
As equipes de Vigilância Ambiental também mantêm atividades permanentes, com monitoramento por armadilhas, eliminação de larvas e utilização de mosquitos com a bactéria Wolbachia. A estratégia reduz a capacidade do inseto de transmitir o vírus e integra as ações de combate à dengue no Distrito Federal.



