A busca por uma saída para o Banco de Brasília (BRB) seguirá entre as prioridades de Celina Leão (PP). A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição afirmou, em entrevista ao programa Vozes da Comunidade, nesta sexta-feira (25), que as críticas dirigidas à instituição não vão alterar a estratégia adotada pelo GDF.
Celina abordou o futuro do banco ao ser questionada sobre o acordo protocolado e homologado no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a entrevista, defendeu que a situação do BRB seja conduzida fora da disputa eleitoral e afirmou que o momento exige esforços para preservar a instituição. “Podem existir divergências políticas, mas elas não deveriam colocar o BRB no meio desse confronto. Quem deseja contribuir com o banco deveria atuar para que o entendimento construído no Supremo avance rapidamente”, afirmou.
Segundo a governadora, a principal cobrança do GDF neste momento é direcionada à União. Celina disse que, na avaliação do Executivo distrital, não houve avanço do governo federal na execução do que havia sido acertado. “Temos elementos objetivos que, na nossa avaliação, mostram que a União não vem avançando no acordo, embora a iniciativa tenha partido dela própria. Não considero razoável que esse cenário seja transformado em argumento eleitoral”, declarou.
Diante desse cenário, a governadora afirmou que o GDF decidiu não depender de uma única solução. Enquanto as tratativas relacionadas ao acordo continuam, outras alternativas passaram a ser consideradas para garantir condições financeiras ao BRB.
Entre elas estão negociações fora do Brasil. Celina revelou que há interlocuções com bancos internacionais e outros integrantes do sistema financeiro. “Ampliamos as conversas e hoje existem tratativas com instituições financeiras internacionais. Não ficamos mais dependentes somente de um aval, de um acordo ou de uma operação conjunta entre bancos. Há outras possibilidades sendo construídas”, disse.
Durante a entrevista ao Vozes da Comunidade, Celina também comentou declarações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante passagem por Ceilândia nesta semana.
A governadora criticou a postura do presidente em relação a ela e ao BRB. Segundo Celina, manifestações públicas envolvendo uma instituição financeira precisam considerar os possíveis reflexos sobre a confiança e a liquidez do banco. “Considero que o presidente foi muito indelicado na forma como se dirigiu a mim, em uma postura que entendo como misógina. Também houve um ataque ao BRB. Quando o chefe do Executivo federal fala dessa maneira sobre um banco, isso pode produzir consequências financeiras para a própria instituição”, afirmou.
Celina disse, porém, que o episódio não modificou a posição adotada pelo governo. Segundo ela, a determinação é continuar buscando alternativas até que seja encontrada uma saída para o BRB. “Não vamos abandonar esse trabalho por causa dos ataques. Seguiremos buscando uma solução e acredito que, depois de atravessar esse período, o BRB terá condições de sair muito mais fortalecido”, concluiu.



