Com previsão de seca severa e risco elevado de queimadas nos próximos meses, o Governo do Distrito Federal iniciou, nesta terça-feira (26), uma força-tarefa para tentar evitar que 2026 repita os cenários críticos registrados em anos anteriores no Cerrado. A Operação Verde Vivo foi lançada em frente ao Palácio do Buriti e mobiliza bombeiros, forças de segurança e órgãos ambientais em uma estratégia que aposta na prevenção como principal arma contra os incêndios florestais.
A preocupação do governo aumentou após os alertas climáticos sobre a possível formação do fenômeno El Niño no segundo semestre, condição que pode agravar a estiagem no Centro-Oeste, reduzir o volume de chuvas e elevar as temperaturas no Distrito Federal. O cenário levou o GDF a decretar estado de emergência ambiental, válido até dezembro.
Durante o lançamento da operação, a governadora Celina Leão afirmou que o momento exige atuação antecipada para evitar que os incêndios ganhem grandes proporções durante o período mais crítico da seca. “Os bombeiros sempre estiveram na linha de frente do combate, mas, neste ano, precisamos reforçar ainda mais as ações preventivas. O cenário climático já indica que teremos desafios maiores pela frente”, declarou.
A operação será coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), que manterá equipes exclusivas para o combate ao fogo em vegetação durante todo o período de estiagem. A atuação diária contará com até 200 militares espalhados em postos estratégicos, além das unidades operacionais da corporação. Em casos de incêndios de grande porte, o efetivo poderá ultrapassar mil bombeiros mobilizados por dia.
A estrutura inclui caminhões adaptados para incêndios florestais, drones, helicóptero, aviões Air Tractor e equipamentos utilizados em áreas de mata fechada. As ações também envolvem monitoramento permanente de regiões consideradas mais vulneráveis, principalmente unidades de conservação, áreas rurais e pontos de expansão urbana próximos ao Cerrado.
A governadora também pediu maior colaboração da população para evitar queimadas provocadas por descuido ou ação criminosa. “Grande parte dos incêndios que enfrentamos começa por falta de cuidado. Precisamos que a população tenha consciência e evite qualquer prática que possa provocar fogo em áreas de vegetação”, afirmou.
O comandante-geral do CBMDF, coronel Moisés Alves Barcelos, alertou que quase a totalidade dos incêndios registrados no DF tem origem humana, seja por queimadas irregulares, descarte inadequado de lixo ou ações criminosas. “Evitar queimadas é fundamental neste período. Sempre que houver qualquer foco de incêndio ou situação suspeita, a recomendação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros para que a resposta seja rápida”, disse.
O secretário de Segurança Pública, Alexandre Patury, reforçou que o período de seca no DF favorece a rápida propagação do fogo e afirmou que pequenos focos podem se transformar rapidamente em grandes incêndios ambientais. “Nesta época do ano, praticamente todos os incêndios têm relação com a ação humana. Um pequeno foco pode sair do controle rapidamente e causar grandes prejuízos ambientais”, alertou.
Além do Corpo de Bombeiros, a Operação Verde Vivo reúne órgãos ambientais e de fiscalização do Distrito Federal em um plano integrado de prevenção e resposta rápida. Participam da ação equipes da Secretaria do Meio Ambiente, Brasília Ambiental, Defesa Civil, Polícia Militar, Secretaria de Saúde e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
As medidas previstas incluem abertura de aceiros, campanhas educativas, orientação em comunidades rurais e monitoramento de áreas críticas. O objetivo do governo é reduzir os danos ambientais, proteger regiões de preservação e evitar que os incêndios avancem sobre áreas urbanas durante o pico da seca no Distrito Federal.


