Mais de 15 mil recém-nascidos passaram pelo teste do pezinho na rede pública do Distrito Federal apenas nos primeiros meses de 2026. O procedimento, considerado uma das principais estratégias de diagnóstico precoce na infância, permite detectar doenças raras antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas.
Dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) apontam que já foram contabilizadas mais de 15,4 mil coletas neste ano. A expectativa é de que o número ultrapasse 40 mil exames até dezembro, mantendo a média anual registrada pela rede pública.
Nos últimos anos, o exame passou por modernização no DF e ampliou o número de doenças investigadas. Desde 2023, o rastreamento inclui enfermidades lisossomais, imunodeficiência combinada grave (Scid) e atrofia muscular espinhal (AME). Atualmente, o teste é capaz de identificar 62 condições de saúde.
Feito a partir de pequenas gotas de sangue retiradas do calcanhar do bebê, o procedimento deve ser realizado logo após o nascimento. A orientação médica é que a coleta ocorra entre o primeiro e o quinto dia de vida, fase considerada decisiva para detectar alterações silenciosas e iniciar rapidamente o tratamento.
O responsável técnico distrital em triagem neonatal da SES-DF, Victor Araújo, afirma que o diagnóstico antecipado aumenta significativamente as chances de controle das doenças detectadas. “Quando conseguimos identificar precocemente qualquer alteração, é possível iniciar o acompanhamento especializado antes que o quadro evolua. Isso traz impactos diretos na qualidade de vida da criança e também no desenvolvimento dela ao longo dos anos”, destaca.
Rede acompanha casos suspeitos e reforça monitoramento
O programa de triagem neonatal do DF recebe amostras coletadas em hospitais, maternidades, unidades básicas de saúde (UBSs) e casas de parto espalhadas pelas regiões administrativas. A estrutura processa cerca de 4 mil exames mensalmente.
Em situações específicas, como prematuridade ou internação em unidades neonatais, os bebês seguem protocolos diferenciados e podem passar por novas coletas para garantir maior precisão nos resultados.
Após a chegada ao laboratório, cada exame recebe um código individual de rastreamento, permitindo o acompanhamento completo do histórico da criança. Quando há indícios de alguma alteração, a família é procurada pela equipe técnica e encaminhada ao Hospital de Apoio de Brasília (HAB), onde são realizados exames complementares.
Segundo a SES-DF, os responsáveis também podem acompanhar o andamento do laudo pela internet. A ferramenta digital disponibilizada pela pasta permite consultar o processamento do exame em tempo real e facilita o acesso às informações do recém-nascido.


