A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), colocou o Banco de Brasília (BRB) no centro da agenda econômica do governo ao defender, na última terça-feira (21), o acordo que viabiliza a venda de ativos vinculados ao Banco Master. A operação, segundo ela, marca uma inflexão na estratégia da instituição ao abrir caminho para a recuperação de recursos e a recomposição da capacidade financeira do banco.
Durante agenda pública em Brasília, a chefe do Executivo afirmou que o modelo estruturado permite transformar ativos em liquidez imediata e reduzir os impactos acumulados de operações anteriores. “Estamos falando de uma solução que responde a uma cobrança antiga da população: recuperar valores que estavam comprometidos. Já temos cerca de R$ 4 bilhões assegurados de imediato e um volume relevante que será convertido ao longo do tempo, conforme esses ativos forem sendo monetizados”, disse.
O acordo foi firmado com a Quadra Capital e estabelece um valor de referência de até R$ 15 bilhões. Desse total, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões serão pagos à vista. O restante, que pode chegar a R$ 12 bilhões, será convertido em cotas subordinadas de um fundo criado para administrar e alienar os ativos incorporados pelo banco.
Celina ressaltou que a engenharia financeira foi desenhada para dar previsibilidade ao processo de recuperação. “Trata-se de uma estrutura que organiza esses ativos e cria condições reais de retorno. À medida que o fundo evolui, os recursos retornam ao banco, fortalecendo a instituição de forma consistente”, afirmou.
A operação já foi aprovada pelo Conselho de Administração do BRB e é tratada como etapa decisiva no processo de readequação da instituição. Em comunicado, o banco destacou que a medida tem como objetivo reforçar a estrutura de capital, ampliar a liquidez e aprimorar a gestão do portfólio, além de racionalizar ativos herdados de operações anteriores.
A conclusão do negócio ainda depende do cumprimento das condições previstas no memorando de entendimentos (MoU). O BRB reiterou o compromisso com a transparência e a governança, informando que eventuais avanços relevantes serão comunicados ao mercado.
O movimento ocorre em meio ao esforço para reequilibrar as contas após prejuízos bilionários associados a operações com o Banco Master. Como parte da estratégia, a atual gestão aposta na alienação de ativos considerados saudáveis e, paralelamente, busca reforçar o caixa por meio de uma linha de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a um consórcio de instituições financeiras.


