spot_imgspot_img

Saúde do DF orienta população sobre controle do caracol africano após chuvas

Date:

O período de chuvas no Distrito Federal tem contribuído para o aumento da presença do caramujo africano em quintais, jardins e terrenos com vegetação alta. A umidade do solo e o acúmulo de materiais orgânicos criam condições ideais para a circulação do molusco, considerado uma espécie invasora que pode trazer riscos à saúde se não houver controle adequado.

De acordo com o biólogo Israel Moreira, da Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival), vinculada à Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), a principal estratégia para evitar a multiplicação do animal é manter o monitoramento frequente nos espaços externos das residências.

Segundo ele, a coleta deve ser realizada de forma regular, principalmente após períodos de chuva, quando os moluscos costumam aparecer com maior frequência. “Os caracóis ficam mais ativos em ambientes úmidos e em horários com temperaturas mais amenas. Por isso, o ideal é verificar o quintal com frequência e retirar os animais sempre que forem encontrados”, explica.

A manutenção do ambiente também é essencial para prevenir a infestação. Terrenos com mato alto, entulho ou restos de obras funcionam como abrigo e locais de reprodução para o molusco.

Coleta pode ser feita pelos moradores

Caso o caracol seja encontrado dentro de casa ou no quintal, a própria população pode realizar a remoção. A orientação é evitar o contato direto, utilizando luvas ou sacos plásticos para recolher os animais.

Após a coleta, os caracóis devem ser colocados em um recipiente resistente, como baldes ou latas. Também é importante verificar se há ovos no local, normalmente encontrados enterrados em solos úmidos ou escondidos sob folhas e entulhos.

Para impedir que continuem se reproduzindo, tanto os caracóis quanto os ovos devem ser esmagados com um objeto resistente, como madeira ou martelo. Esse procedimento também evita que as conchas se tornem reservatórios de água, o que poderia favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, chikungunya e zika.

Depois disso, os animais devem permanecer submersos por 24 horas em uma solução preparada com água sanitária, utilizando a proporção de um litro do produto para três litros de água. O recipiente deve permanecer fechado para impedir que os caracóis escapem.

Concluído o processo, o material pode ser descartado no lixo comum, dentro de um saco resistente. Outra alternativa é enterrá-lo em valas profundas, entre 80 centímetros e 1,5 metro, utilizando uma camada de cal virgem para impedir que outros animais sejam atraídos. Esse tipo de descarte deve ocorrer longe de poços, cisternas ou áreas com lençóis freáticos.

Moradores que precisarem de orientação podem entrar em contato com a Diretoria de Vigilância Ambiental pelo telefone (61) 3449-4427 ou pelo Disque-Saúde 160. As equipes avaliam a espécie encontrada e orientam o manejo adequado.

Espécie invasora se reproduz com facilidade

O chamado caramujo africano, cientificamente denominado Achatina fulica, é uma espécie originária da África e considerada invasora no Brasil. O animal possui grande capacidade reprodutiva: pode gerar centenas de ovos por ciclo e se reproduzir diversas vezes ao longo do ano.

Os ovos são pequenos, de cor branca ou amarelada, e costumam ser depositados em solos úmidos. Já a concha do molusco apresenta tonalidade marrom-escura, com faixas claras, e pode atingir até 15 centímetros de comprimento.

Essas características ajudam a distinguir o animal de espécies nativas brasileiras, que normalmente possuem conchas mais claras e formato diferente.

Contaminação pode ocorrer por alimentos

Além de causar impactos ambientais, o caracol africano pode transmitir doenças caso esteja infectado por determinados parasitas. A contaminação humana ocorre principalmente pela ingestão de alimentos que tiveram contato com o muco deixado pelo molusco.

Entre as doenças associadas estão a meningite eosinofílica e a enterite eosinofílica, que afetam, respectivamente, o sistema nervoso e o intestino.

Por isso, especialistas reforçam a importância de higienizar corretamente frutas, verduras e hortaliças antes do consumo. A recomendação é deixá-las por cerca de 30 minutos em solução preparada com uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água. Em seguida, os alimentos devem ser lavados em água corrente.

Esse cuidado simples ajuda a reduzir o risco de contaminação e reforça a prevenção contra doenças relacionadas ao contato indireto com o molusco.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
spot_imgspot_imgspot_imgspot_img
spot_imgspot_img

Popular

More like this
Related

Doação de leite materno fortalece rede de cuidados com bebês no DF

Para um bebê que ainda não pode mamar diretamente...

Vacinas contra dengue, sarampo e covid estarão disponíveis no DF neste sábado

A rede pública de saúde do Distrito Federal terá...

Após audiência no STF, Celina reforça defesa do BRB e cobra cumprimento de acordo

A governadora Celina Leão (PP) voltou a defender a...

Sesc-DF apoia programa que amplia oportunidades para catadores no DF

Uma nova iniciativa pretende chegar a trabalhadores que estão...