O cuidado intensivo aos recém-nascidos atendidos na rede pública do Distrito Federal passou a contar com um novo nível de monitoramento contínuo. A Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) adotou um sistema digital que permite acompanhar, de forma centralizada e em tempo real, a condição clínica dos bebês internados, reduzindo o intervalo entre a identificação de alterações e a resposta das equipes assistenciais.
A iniciativa, implementada pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) com investimento de R$ 264 mil, introduz a telemetria na rotina da unidade e modifica a dinâmica do acompanhamento dos pacientes. Com a nova ferramenta, os sinais vitais deixam de estar restritos aos monitores instalados junto aos leitos e passam a ser consolidados em painéis integrados, oferecendo às equipes médicas e de enfermagem uma visão simultânea do estado de todos os recém-nascidos.
Na prática, a mudança reorganiza o fluxo de trabalho e amplia a capacidade de vigilância clínica. A neonatologista Virgínia Lira destaca que o sistema encurta o tempo necessário para localizar situações que exigem intervenção. “Agora conseguimos identificar rapidamente qualquer alteração e nos direcionar ao leito que precisa de atenção imediata. Antes, era necessário percorrer a unidade ou depender da comunicação entre os profissionais para localizar uma intercorrência”, explica.
Os dados são inseridos no sistema desde a admissão e atualizados continuamente, reunindo informações como frequência cardíaca, saturação de oxigênio, temperatura corporal, pressão arterial e ritmo respiratório. O modelo também permite a configuração de alertas específicos, que sinalizam variações relevantes e favorecem a identificação precoce de mudanças no quadro clínico.
Além de otimizar o tempo de resposta, a centralização das informações amplia o acesso aos dados dentro da própria UTI. Telas distribuídas nos setores possibilitam que os profissionais acompanhem os pacientes sob sua responsabilidade sem a necessidade de deslocamentos constantes, contribuindo para decisões mais rápidas e intervenções direcionadas.
Para a especialista, o uso da tecnologia representa um avanço concreto na assistência neonatal. “Trata-se de um recurso que fortalece o trabalho das equipes e aumenta a segurança no acompanhamento dos bebês”, avalia.
Com a reorganização do monitoramento e a ampliação da capacidade de vigilância clínica, a expectativa é que a nova estrutura contribua para respostas mais ágeis em situações críticas e reforce a qualidade do atendimento prestado aos recém-nascidos internados pelo Sistema Único de Saúde no Distrito Federal.


