A morte do cão Orelha levou manifestantes às ruas de Brasília no último domingo (22), em um ato que reuniu luto, indignação e cobrança por respostas das autoridades. A concentração ocorreu no parque da 104 do Sudoeste e seguiu em caminhada por pontos estratégicos do sistema de Justiça do Distrito Federal, como o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.
A mobilização integrou uma articulação nacional, com manifestações simultâneas em ao menos 12 cidades brasileiras. O objetivo foi pressionar por responsabilização no caso ocorrido em Santa Catarina e, ao mesmo tempo, denunciar a recorrência de episódios de violência contra animais no país. Em Brasília, o protesto também trouxe à memória o caso dos 21 gatos tigrados mortos no Gama, em 2025, episódio que permanece sem desfecho e segue mobilizando protetores e ativistas.
Segundo Vanessa Negrini, diretora de Proteção e Direitos dos Animais do Ministério do Meio Ambiente e uma das organizadoras do ato, o nome de Orelha ultrapassou os limites do caso individual. “Ele passou a representar uma luta coletiva. Estamos falando de um símbolo da necessidade urgente de punições mais severas e de uma mudança real na forma como o Estado trata crimes contra animais”, afirmou.
Durante o percurso, lideranças do movimento defenderam que as investigações avancem para a esfera federal. Ítalo Araújo, coordenador do programa Última Praça, afirmou que há questionamentos sobre a condução do caso. “Queremos transparência, apuração rigorosa e mais políticas públicas para animais em situação de abandono”, declarou.
Entre os participantes estava a produtora cultural Teresa Padilha, de 70 anos, que destacou o papel da educação como eixo central da prevenção. “A violência começa na falta de consciência. Ensinar respeito aos animais desde cedo é parte essencial dessa luta”, disse.
Procurados, os órgãos do sistema de Justiça citados no trajeto da manifestação informaram que não se manifestariam sobre o caso até a conclusão das apurações em curso.
Os organizadores afirmam que o movimento seguirá ativo, com novos atos e articulações nacionais, até que haja responsabilização efetiva no caso de Orelha e avanços concretos na política de proteção animal no Brasil, uma pauta que, segundo os manifestantes, já deixou de ser pontual para se tornar estrutural.


