Ao completar dois anos de funcionamento nesta terça-feira (10), o Hospital Cidade do Sol (HSol), em Ceilândia, já opera como parte estrutural da rede pública de saúde do Distrito Federal. A unidade, que surgiu para ampliar a oferta de leitos hospitalares, consolidou-se como hospital de retaguarda e passou a desempenhar papel relevante na organização das internações do Sistema Único de Saúde (SUS).
Desde a abertura, o HSol registrou 4.462 admissões. Em janeiro de 2026, a taxa de ocupação chegou a 93,7%, índice que indica utilização quase total dos leitos e reflete a demanda constante pelos serviços. O volume de atendimentos reforça a importância da unidade para absorver pacientes que necessitam de acompanhamento hospitalar, mas não demandam estrutura de alta complexidade.
O hospital recebe pacientes encaminhados pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal e pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal, atuando como suporte direto a hospitais e prontos-socorros. Esse modelo contribui para liberar leitos em unidades de maior complexidade, como o Hospital de Base do Distrito Federal e o Hospital Regional de Santa Maria, além de reduzir a pressão sobre as unidades de pronto atendimento (UPAs).
Com foco em internações de baixa e média complexidade, o HSol atende pacientes que precisam concluir tratamentos com antibióticos, estabilizar quadros clínicos ou permanecer sob observação até a recuperação. A atuação permite maior fluidez no atendimento de urgência e melhora o aproveitamento da capacidade instalada da rede pública.
Paralelamente ao papel assistencial, a unidade desenvolveu práticas voltadas à humanização do cuidado. Projetos institucionais estimulam a escuta ativa, o vínculo entre equipes e pacientes e a adoção de abordagens mais individualizadas durante o período de internação. Entre essas iniciativas está o Prontuário Afetivo, instrumento que reúne informações pessoais do paciente para apoiar um atendimento mais próximo e respeitoso.
A gerente do hospital, Júlia Gurgel, destaca que o modelo adotado busca equilibrar eficiência e atenção à dimensão humana do cuidado. Segundo ela, o hospital atua para apoiar a rede pública sem perder de vista a dignidade e as necessidades individuais de cada paciente.
O Hospital Cidade do Sol também ampliou a atuação em cuidados paliativos, serviço destinado a pacientes com doenças graves, crônicas ou ameaçadoras da vida. A unidade mantém dez leitos exclusivos para esse tipo de atendimento em contexto de fim de vida, com acompanhamento de equipe multiprofissional composta por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas e fonoaudiólogos.
Para o presidente do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal, Cleber Monteiro, a consolidação do HSol representa um avanço no modelo de organização do SUS no Distrito Federal. Ele avalia que a unidade contribui para melhorar o giro de leitos, garantir continuidade ao tratamento e desafogar serviços de urgência e alta complexidade.
Com dois anos de operação, o Hospital Cidade do Sol passa a integrar de forma permanente a estrutura da saúde pública do DF, reforçando a capacidade de resposta do sistema e ampliando o acesso a um cuidado hospitalar organizado e contínuo.


