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Conselho anula registro de homem que se passava por veterinário no DF

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Um esquema de falsificação que permitiu a atuação irregular de um falso médico-veterinário no Distrito Federal levou o Conselho Regional de Medicina Veterinária do DF (CRMV-DF) a cancelar, de forma definitiva, o registro de Ronald Patrich Teixeira, de 46 anos. A decisão foi tomada após a confirmação de que ele nunca concluiu graduação em medicina veterinária e utilizou um diploma fraudado para exercer a profissão por pelo menos quatro anos.

As irregularidades vieram à tona a partir de investigações da Polícia Civil do Distrito Federal. Segundo a apuração, Ronald adquiriu um diploma falso e o vinculou indevidamente a uma universidade paulista. Com o documento, obteve registro profissional e passou a atuar principalmente na área de anestesia veterinária, considerada uma das mais sensíveis e técnicas da profissão.

Nesse período, ele chegou a se apresentar como proprietário de uma clínica no Guará e também arrendou um hospital veterinário na Asa Sul, ampliando sua atuação no mercado.

As primeiras suspeitas surgiram dentro do próprio meio profissional. Veterinários que trabalharam com Ronald relataram estranhamento diante de condutas adotadas em atendimentos complexos e apontaram falhas técnicas incompatíveis com a formação que ele dizia possuir. As denúncias foram encaminhadas ao CRMV-DF e à polícia, dando início à apuração formal do caso.

Durante a checagem, a instituição de ensino mencionada no diploma negou qualquer vínculo acadêmico com o investigado. Diante da confirmação da fraude, o conselho anulou o registro de forma retroativa e comunicou o Ministério Público para a adoção das medidas legais cabíveis. O uso de documento falso e o exercício ilegal da profissão configuram crimes, com penas que podem chegar a seis anos de prisão, além de multa.

Testemunhas ouvidas no processo relataram ainda que Ronald costumava inflar o próprio currículo, afirmando possuir mestrado, doutorado e especializações nacionais e internacionais. Profissionais também descreveram erros em procedimentos, decisões clínicas inadequadas e um episódio em que a insistência em uma conduta considerada incorreta teria agravado o estado de um animal atendido.

Além das falhas técnicas, surgiram relatos de comportamentos considerados inadequados no ambiente de trabalho. Colegas mencionaram comentários pessoais invasivos direcionados a mulheres e atitudes interpretadas como impróprias, como um beijo no rosto de uma profissional sem consentimento. Há registros, ainda, de que ele atribuía falhas próprias a outros integrantes da equipe.

Em nota, o presidente do CRMV-DF, Rodrigo Antonio Bites Montezuma, afirmou que o conselho adotará todas as medidas cabíveis para responsabilizar o investigado, caso sejam confirmados prejuízos a terceiros. Segundo ele, o órgão também está reforçando os mecanismos de verificação documental e orienta a população a consultar o cadastro público de profissionais regularmente habilitados.

Procurado pelo Metrópoles, Ronald Patrich Teixeira não respondeu até a publicação desta reportagem.

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