O Distrito Federal encerrou 2025 com um avanço expressivo na agricultura orgânica. Ao todo, 386 produtores passaram a contar com certificação que comprova a adoção de práticas sustentáveis, número acima da meta inicialmente prevista pelos órgãos de assistência técnica rural. O resultado reflete a expansão das organizações de controle social (OCS) e a consolidação do programa Certifica DF, voltado à valorização da produção agroecológica.
Segundo a Emater-DF, o crescimento da certificação amplia o acesso dos agricultores familiares a mercados formais e a políticas públicas. “A certificação cria condições para que o produtor participe de programas de compras institucionais e de feiras regulamentadas, garantindo renda e previsibilidade”, afirma Daniel Rodrigues, gerente do Escritório Especializado em Agricultura Orgânica e Agroecologia (Esorg). “Trata-se de uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento rural sustentável”, completa.
As OCS funcionam como instâncias coletivas de acompanhamento da produção, reunindo agricultores que adotam regras comuns de manejo e fiscalização. O modelo permite a venda direta de alimentos orgânicos, com rastreabilidade e transparência. “Além de reduzir custos, o sistema fortalece a organização social no campo e estimula a troca de conhecimento entre os produtores”, explica Rodrigues.
Em Sobradinho, na zona rural, os efeitos dessa política já são percebidos. No assentamento Terra Prometida, agricultores familiares têm diversificado a produção e investido em sistemas agroecológicos. Um deles é Evaldo Alves dos Santos, que cultiva frutas, hortaliças e grãos em uma área de cinco hectares, sem uso de defensivos químicos. Certificado em agosto de 2025, ele passou a acessar novos canais de comercialização. “A certificação traz credibilidade e estabilidade para quem vive da terra”, avalia.
A assistência técnica tem papel central nesse processo. De acordo com a Emater-DF, o acompanhamento contínuo orienta desde o manejo do solo até a organização da propriedade. “O produtor aprende a reduzir custos, melhorar a produtividade e conservar os recursos naturais”, destaca Daniel Rodrigues. “Isso gera impacto econômico e ambiental ao mesmo tempo.”
A adoção de práticas orgânicas também está associada à melhoria da qualidade de vida no meio rural. Para Evaldo, que antes atuava em atividades urbanas, a mudança representou maior proximidade com a família e autonomia no trabalho. “Hoje a propriedade sustenta a casa e permite planejar o futuro com mais segurança”, afirma.
Além da produção vegetal, iniciativas de criação animal começam a integrar o sistema orgânico em algumas propriedades. No caso de Evaldo, a criação de galinhas caipiras já faz parte do planejamento produtivo, com perspectiva de ampliação e futura certificação. “A ideia é avançar de forma gradual, mantendo o equilíbrio da área”, resume.
Para a Emater-DF, o cenário indica que a agricultura orgânica deixou de ser nicho e passou a ocupar espaço estratégico no abastecimento e no desenvolvimento rural do Distrito Federal. “Os números mostram que há demanda, capacidade técnica e organização social para continuar crescendo”, conclui Rodrigues.


