A mudança no destino de R$ 25 milhões do orçamento do Distrito Federal, inicialmente reservados para as comemorações do aniversário de Brasília, reposicionou o início da atual gestão e colocou a saúde pública no centro das primeiras decisões do governo. A verba foi redirecionada pela governadora Celina Leão (PP) para ampliar o atendimento na rede, em meio à pressão pela redução das filas de exames e cirurgias.
A decisão saiu do campo administrativo e ganhou leitura prática já no dia seguinte à posse. Em 31 de março, durante agenda em Santa Maria, uma moradora procurou a governadora para relatar a própria situação, três anos de espera por uma cirurgia e dois anos aguardando uma ressonância magnética, realidade que, segundo ela, se repete para muitos pacientes no DF.
Ao se referir à escolha de cancelar as festividades para priorizar a saúde, a cidadã fez uma avaliação direta. Disse que, ao optar por contratar atendimento médico em vez de investir em eventos, a gestão demonstra foco no que realmente impacta a vida das pessoas. Para ela, celebrações são momentâneas, enquanto o acesso à saúde é uma necessidade permanente.
Celina Leão respondeu afirmando que esse tipo de demanda é justamente o que orienta as primeiras medidas do governo. A governadora destacou que a prioridade é enfrentar o passivo acumulado na rede pública e dar mais velocidade ao acesso a exames.
Entre as ações em andamento, ela anunciou a contratação de unidades móveis de ressonância magnética, conhecidas como “carretas de ressonância”, que devem circular pelas regiões administrativas. Segundo a chefe do Executivo, a ideia é levar o serviço até a população para reduzir o tempo de espera.
“Estamos estruturando a contratação dessas carretas para levar os exames diretamente às regiões administrativas. O objetivo é enfrentar essa fila de ressonância, que hoje ainda é muito grande, e dar uma resposta mais rápida à população”, afirmou.
A medida mira um dos principais gargalos da saúde pública do Distrito Federal, responsável por longos períodos de espera e recorrentes reclamações dos usuários do sistema.
Embora pontual, a decisão de redirecionar os recursos passou a ser interpretada como um indicativo de prioridade na condução da gestão. Ao abrir mão de um evento de grande porte para reforçar serviços essenciais, o governo sinaliza uma estratégia voltada à resolução de demandas mais imediatas.
O episódio em Santa Maria, marcado pelo contato direto com a população, ilustra esse início de mandato, uma gestão que busca respostas rápidas para problemas estruturais, ao mesmo tempo em que tenta consolidar uma percepção de maior eficiência no atendimento às necessidades da população.
A movimentação também dialoga com a atuação anterior de Celina Leão no governo do Distrito Federal, ao lado do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), período marcado por iniciativas voltadas à área social, com foco em políticas para mulheres, crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.
Neste novo ciclo, a combinação entre decisões de impacto imediato e presença em agendas públicas indica uma tentativa de alinhar gestão e expectativa social, tendo a saúde como uma das principais frentes de atuação.


