A presença de escorpiões em áreas urbanas colocou as autoridades de saúde do Distrito Federal em alerta. De janeiro a agosto, 2.817 acidentes envolvendo o aracnídeo foram registrados na capital. Desse total, 38 casos foram classificados como graves.
A prevenção passa por uma rotina que vai além da captura dos animais. Agentes de saúde realizam visitas a residências, estabelecimentos comerciais, empresas e imóveis públicos e privados para identificar situações que favorecem a presença de escorpiões e orientar a população.
O problema pode estar em espaços comuns do dia a dia. Entulhos, caixas de esgoto, materiais de construção e objetos acumulados oferecem locais escuros e úmidos que servem de abrigo. Os escorpiões permanecem escondidos principalmente durante o dia e costumam sair à noite em busca de alimento.
Entre os principais atrativos estão as baratas. Segundo o biólogo Israel Moreira, controlar esses insetos é uma forma de reduzir uma das condições que contribuem para a permanência dos escorpiões perto das pessoas. “Os escorpiões gostam de viver perto da gente porque oferecemos as condições para isso”, explicou.
Por esse motivo, a desinsetização pode ter papel importante no controle das baratas. O procedimento, no entanto, não deve ser visto como uma solução direta contra os escorpiões. O uso de determinados pesticidas pode provocar o deslocamento dos animais e aumentar a possibilidade de contato com moradores.
“Existem pesticidas que matam o escorpião, mas não se sabe ainda se o uso dessas substâncias é seguro. Isso porque, muitas vezes, são produtos que acabam estimulando o deslocamento dos escorpiões e, assim, facilitando a ocorrência de acidentes”, afirmou Moreira.
As visitas dos agentes incluem uma busca detalhada pelos pontos que podem servir de esconderijo. Caixas de gordura e de esgoto, quintais e áreas com concentração de folhas estão entre os locais inspecionados. Em espaços de difícil acesso, as equipes utilizam até espelhos para verificar as bordas internas das estruturas.
Quem encontrar um escorpião deve evitar qualquer contato direto. Caso seja possível fazer a captura com segurança, a orientação é utilizar um recipiente, sem tocar no animal com as mãos, e mantê-lo fechado.
Depois disso, a população pode entrar em contato pelos números 160 ou 162. O animal recolhido pode ser utilizado para identificar a espécie encontrada no imóvel, informação que auxilia o trabalho das equipes de saúde.
A recomendação é também eliminar condições que transformam o imóvel em abrigo para os escorpiões. Reduzir o acúmulo de materiais, observar pontos úmidos e escuros e controlar a presença de baratas são cuidados que ajudam a diminuir o risco da presença desses animais.



