O sistema de segurança do Pix passou por novas mudanças para tentar equilibrar dois problemas: facilitar a recuperação de dinheiro perdido em golpes e evitar que o mecanismo de devolução seja utilizado de forma indevida.
Uma das alterações já está em vigor. Desde 1º de setembro, o prazo para contestar uma devolução feita pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) aumentou de 30 para 80 dias. A regra vale para pessoas físicas e empresas.
O MED é acionado quando uma transferência é relacionada a uma suspeita de fraude. A partir da comunicação do caso, as instituições financeiras podem adotar procedimentos para localizar e bloquear os valores envolvidos, permitindo que a situação seja analisada.
A mudança no prazo busca dar uma margem maior para quem teve uma devolução considerada irregular. Isso é especialmente relevante para empresas e comerciantes, que podem receber um pagamento legítimo e posteriormente enfrentar uma contestação baseada em uma alegação de fraude.
Ao mesmo tempo, o Banco Central vem ampliando a capacidade de rastrear os recursos. Desde fevereiro de 2026, o bloqueio pode acompanhar o dinheiro mesmo quando ele já foi transferido da primeira conta que recebeu o Pix. Se os valores passarem por outras contas, essas movimentações também podem ser alcançadas pelo procedimento.
A intenção é reduzir uma das principais dificuldades enfrentadas pelas vítimas: a rápida transferência do dinheiro entre diferentes contas depois da aplicação do golpe.
Outra alteração facilita o primeiro passo de quem identifica uma fraude. O alerta pode ser registrado diretamente pelo aplicativo da instituição financeira, sem que o cliente precise iniciar obrigatoriamente o atendimento por outro canal.
As medidas fazem parte de um processo de aperfeiçoamento das regras do Pix. No ano passado, também foram criadas exigências para aumentar a conferência dos dados associados às chaves. Desde julho de 2025, as instituições financeiras verificam a compatibilidade das informações com os registros da Receita Federal em procedimentos de criação ou alteração de chaves Pix.
O conjunto de mudanças busca tornar mais difícil a ação de fraudadores e, quando o golpe acontece, aumentar a possibilidade de que o dinheiro seja localizado antes de desaparecer por uma sequência de transferências.
Apesar do novo prazo, uma contestação não significa cancelamento automático de um Pix. O MED é destinado a situações específicas de fraude e cada ocorrência precisa passar pela análise das instituições envolvidas.
Para quem identificar uma transferência suspeita, a orientação é comunicar o banco o mais rapidamente possível e registrar a ocorrência pelos canais disponibilizados pela instituição. Quanto menor o intervalo entre o golpe e a comunicação, maior tende a ser a possibilidade de os recursos ainda estarem disponíveis para bloqueio.



