Experiências vividas por brasileiros afetados pelo tabagismo poderão influenciar as próximas campanhas de combate ao cigarro no país. Uma iniciativa do Ministério da Saúde vai reunir depoimentos da população para identificar consequências do consumo de tabaco que ultrapassam os danos físicos mais conhecidos e chegam à vida familiar, afetiva e social.
Batizada de “Conte o que o cigarro não mostra”, a ação é direcionada a fumantes, pessoas que conseguiram abandonar o cigarro, familiares e demais cidadãos que tenham convivido com os efeitos do tabagismo. A participação ocorre pelo formulário #MinhaHistóriaSemFiltro, disponibilizado no Portal da Saúde.
Os interessados terão até novembro para enviar os depoimentos. Como parte da divulgação, um QR Code que direciona ao formulário também será compartilhado nas redes sociais até o fim de setembro. A iniciativa tem o apoio da área de Comunicação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A proposta é transformar as experiências recebidas em informações para as próximas ações do poder público. Os relatos poderão contribuir para a escolha de imagens e mensagens utilizadas nas advertências das embalagens de cigarros, além de auxiliar na elaboração de estratégias de prevenção e apoio às pessoas que desejam abandonar o tabaco.
Entre os pontos que o Ministério da Saúde pretende conhecer estão as mudanças provocadas pelo cigarro na rotina e nos relacionamentos, além das dificuldades enfrentadas durante as tentativas de parar de fumar. A expectativa é ampliar a percepção sobre as consequências do tabagismo que nem sempre aparecem nos alertas sanitários atuais.
Mais brasileiros procuram ajuda para parar
A iniciativa surge em um período no qual os indicadores mostram crescimento do tabagismo entre adultos. A pesquisa Vigitel apontou que 11,7% dos adultos brasileiros fumavam em 2024. No ano anterior, esse percentual era de 9,2%.
Os números da rede pública, por outro lado, revelam aumento na busca por tratamento. O total de pessoas atendidas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para deixar de fumar passou de 1 milhão em 2022 para 2,1 milhões em 2025.
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza diferentes formas de acompanhamento para quem pretende abandonar o cigarro. O atendimento pode ocorrer individualmente ou em grupos e inclui orientação profissional e medicamentos destinados a reduzir os sintomas de abstinência.
O avanço dos dispositivos eletrônicos para fumar também entrou no radar das autoridades sanitárias. Entre brasileiros de 18 a 24 anos, o uso desses produtos chegou a 10,1% em 2024, ampliando os desafios para as políticas de prevenção, especialmente entre os jovens.
O país mantém medidas de controle do tabaco alinhadas à Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde (OMS), incluindo restrições ao fumo em locais fechados e alertas sanitários estampados nas embalagens. A nova consulta à população acrescenta a esse conjunto de iniciativas a experiência direta de quem enfrenta ou já enfrentou os impactos do tabagismo.



