BRASÍLIA — A saída de Carlos Dalvan da Administração Regional do Recanto das Emas, oficializada em 1º de abril, marca a transição de um ciclo de gestão para uma nova etapa de projeção política no Distrito Federal. Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (16) a jornalistas de veículos como Fato por Fato, Mídia Alternativa, Rádio Candango FM, Tropical News e Sertanejo Top 10, o ex-administrador apresentou os próximos passos de sua trajetória, agora voltados à construção de uma pré-candidatura à Câmara dos Deputados.
Ao fazer um balanço da gestão, Dalvan adotou um tom realista, mas destacou os avanços obtidos ao longo do período à frente da administração. “Entre 60% e 70% do planejamento a gente conseguiu concluir”, afirmou, ao reconhecer que limitações estruturais fazem parte da rotina do setor público. Ainda assim, ressaltou que obras de impacto ajudaram a reposicionar a cidade. “O viaduto foi uma conquista importante pra nossa cidade. E o hospital, que já está em andamento, também é um marco”, completou.
Mais do que os resultados concretos, o ex-administrador enfatizou o aprendizado acumulado na gestão. Segundo ele, a experiência no Executivo ampliou sua compreensão sobre o funcionamento do Estado e sobre a dinâmica real das demandas da população. Esse amadurecimento aparece como eixo central de sua nova fase política. “A política é muito dinâmica. Você vai entendendo os caminhos, aprendendo com os erros e ajustando a estratégia”, pontuou.
A construção de sua identidade política segue ancorada na proximidade com a comunidade — característica que Dalvan faz questão de preservar. “Meu perfil é de estar no dia a dia das pessoas, de atender todo mundo, de ter um telefone que todo mundo tem”, afirmou. A proposta, segundo ele, é manter essa atuação mesmo em uma eventual passagem pelo Congresso Nacional, ampliando o alcance sem perder o vínculo com a base.
Durante a entrevista, Dalvan também abordou um dos principais desafios enfrentados por lideranças locais: transformar reconhecimento regional em força eleitoral mais ampla. Para ele, ainda há uma barreira cultural a ser superada. “Às vezes a pessoa cobra o problema da rua dela, mas não enxerga o que foi feito pela cidade como um todo”, avaliou, ao destacar a necessidade de maior conscientização política do eleitor.
A pré-candidatura à Câmara Federal surge, nesse contexto, como um passo natural dentro de sua trajetória. O objetivo é levar ao cenário nacional não apenas pautas do Distrito Federal, mas também uma visão mais prática da política. “Lei a gente já tem demais. O que precisa é fazer as leis serem cumpridas”, afirmou, sinalizando uma atuação voltada à efetividade das políticas públicas.
Dalvan também defendeu a modernização do Estado como uma das frentes prioritárias. Ao citar experiências de outras unidades da federação, destacou o uso de tecnologia como ferramenta para melhorar a segurança pública e a gestão urbana. “A gente precisa modernizar. Com mais tecnologia, você melhora o serviço e ainda reduz custo”, disse.
A movimentação do ex-administrador se insere em um padrão recorrente da política: a tentativa de transformar gestão local em plataforma eleitoral. No entanto, o diferencial está na forma como essa transição vem sendo construída, com base em experiência administrativa e presença territorial consolidada. Ao deixar o cargo, Dalvan encerra um ciclo marcado por entregas e inicia uma nova etapa mirando maior alcance político — com a estratégia de transformar trajetória em competitividade no cenário distrital.


