Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, o debate sobre políticas públicas de proteção ganhou espaço no Distrito Federal com a realização do evento “O Brasil pelas Mulheres — Proteção a Todo Tempo”, nesta quinta-feira (26). Promovido pelo Correio Braziliense, em parceria com a TV Brasília, o encontro reuniu representantes do poder público, especialistas e lideranças femininas para discutir estratégias de enfrentamento à violência de gênero.
Participaram da iniciativa a vice-governadora Celina Leão, a secretária da Mulher, Giselle Ferreira, e o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar. O evento integrou uma série de ações voltadas ao fortalecimento do diálogo institucional e social sobre o tema, destacando a importância da atuação conjunta entre governo, imprensa e sociedade civil.
Celina Leão destacou que o combate à violência contra a mulher tem sido tratado como prioridade permanente na gestão do Distrito Federal. Segundo ela, a estruturação de políticas públicas voltadas à prevenção e ao acolhimento vem consolidando uma rede de proteção que atua de forma contínua.
“A proteção das mulheres precisa ser entendida como um compromisso coletivo. No DF, temos investido na construção de uma rede que une prevenção, capacitação e atendimento humanizado, porque garantir segurança não é uma ação pontual, mas um dever permanente do Estado e da sociedade”, afirmou.
Integração no combate
Na avaliação da Secretaria de Segurança Pública, espaços de debate ampliam a articulação entre instituições e ajudam a fortalecer estratégias de enfrentamento à violência de gênero.
Sandro Avelar ressaltou que o combate ao feminicídio exige vigilância constante e atuação integrada. “Enquanto houver mulheres sendo mortas por razão de gênero, não há espaço para complacência. No DF, adotamos um protocolo que determina que toda morte violenta de mulher seja investigada, inicialmente, como feminicídio. Essa medida evita subnotificação e reforça o compromisso institucional com o enfrentamento desse tipo de crime”, explicou.
O secretário também chamou a atenção para a responsabilidade coletiva no processo de proteção. “Muitas vezes, pessoas próximas sabem que a vítima sofre violência e não denunciam. O enfrentamento passa, necessariamente, pelo engajamento da sociedade.”
Durante o evento, a secretária da Mulher, Giselle Ferreira, apresentou ações voltadas ao atendimento de familiares de vítimas de feminicídio. Entre elas, está o programa Acolher Eles e Elas, direcionado aos órfãos desses crimes.
“Hoje acompanhamos mais de 200 crianças e adolescentes que perderam suas mães em decorrência do feminicídio. Além do auxílio financeiro equivalente a um salário mínimo, oferecemos suporte psicológico e social às famílias, buscando reduzir os impactos dessa violência”, afirmou.
Canais de denúncia
As autoridades reforçaram que denunciar é um passo fundamental para interromper ciclos de violência. No Distrito Federal, além do atendimento presencial nas delegacias, a Polícia Civil disponibiliza o registro de ocorrência pela plataforma Maria da Penha Online, que permite o envio de provas, como fotos e vídeos, e o pedido de medidas protetivas.
Também estão disponíveis o telefone 197, opção zero; o e-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br; o WhatsApp (61) 98626-1197; e, em situações de emergência, o 190, da Polícia Militar.


